Inflação

Brasil Taxa básica de juros sobe 1,5 ponto percentual e termina ano a 9,25%

Taxa básica de juros sobe 1,5 ponto percentual e termina ano a 9,25%

Última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) termina com sétima alta seguida da Selic

  • Brasil | Márcia Rodrigues, do R7

Selic, taxa básica de juros, passou de 7,75% para 9,25% ao ano

Selic, taxa básica de juros, passou de 7,75% para 9,25% ao ano

Marcos Santos/USP Imagens

A taxa básica de juros, a Selic, subiu 1,5 ponto percentual, de 7,75% para 9,25% ao ano, no início da noite desta quarta-feira (8), ao fim da última reunião do ano do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central). 

A alta, a sétima consecutiva e a maior desde julho de 2017, já era esperada pelo mercado desde a penúltima reunião do Copom, realizada em outubro, quando foi sinalizado o aumento de 1,5 ponto percentual.

O percentual também era consenso no mercado financeiro e já havia sido citado no boletim Focus, que compila previsões de cerca de 100 respondentes na sondagem do Banco Central, divulgado na segunda-feira (6).

O mesmo documento ainda sinaliza que a Selic finalizaria 2022 a 11,25%.

No boletim, divulgado ao final da reunião, o comitê sinaliza outro ajuste da mesma magnitude na taxa básica de juros.

"O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023", justificou, e seguiu:

"Essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego."

No documento, o Copom tambem enfatizou que "os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária".

A nota ainda pontuou:

• No cenário externo, o ambiente se tornou menos favorável. Alguns bancos centrais das principais economias expressaram claramente a necessidade de cautela frente à maior persistência da inflação, tornando as condições financeiras mais desafiadoras para economias emergentes. Além disso, a possibilidade de nova onda da Covid-19 durante o inverno e o aparecimento da variante Ômicron adicionam incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais;

• Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores divulgados desde a última reunião mostram novamente uma evolução moderadamente abaixo da esperada;

• A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços foi acima da esperada, tanto nos componentes mais voláteis como também nos itens associados à inflação subjacente;

• As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;

• As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 10,2%, 5,0% e 3,5%, respectivamente; e

• No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,65*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 10,2% para 2021, 4,7% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 9,25% a.a. neste ano e para 11,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 11,25%, e reduz-se para 8,00% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 16,7% para 2021, 3,8% para 2022 e 5,2% para 2023. Adotam-se bandeira tarifária "escassez hídrica" em dezembro de 2021 e a hipótese de bandeira tarifária "vermelha patamar 2" em dezembro de 2022 e dezembro de 2023.

Selic estava em queda até março de 2021

Até março deste ano, a taxa básica de juros vinha registrando uma série de quedas desde julho de 2015 e sequência de reduções consecutivas desde julho de 2019, chegando ao menor patamar da história.

A alta da inflação e as incertezas da economia por causa das crises financeira e sanitária geradas pela pandemia de coronavírus vêm pesando na decisão do Copom de elevar sucessivamente a Selic, de acordo com o mercado.

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