Temer: delação é coisa útil desde que devidamente estruturada
Presidente afirma que este é o primeiro passo de um processo longo, que as delações precisam ser comprovadas
Brasil|com Agência Brasil

A delação premiada é uma coisa útil desde que devidamente estruturada e esclarecida, avalia o presidente Michel Temer.
Em entrevista à NBR, transmitida na manhã desta sexta-feira (4) Temer afirmou que a delação é o primeiro passo de um processo longo, que depois tem de ser comprovado.
— A delação deveria surgir depois de uma série de fatos que autorizasse comprovação de fatos.
Segundo o presidente, o delator, muitas vezes, quer se livrar de uma eventual penalidade. Numa referência à delação do executivo Joesley Batista, que o relacionou, Temer disse que o delator "criou maiores inverdades". Ele avaliou este como o momento mais injusto do seu governo.
Temer voltou a dizer que a frase "vamos manter isso" não existiu como resposta ao que foi colocado.
— Colocou-se isso como se fosse definitiva. Aquilo atrapalhou momentaneamente a relação com o Congresso.
Segundo ele, depois percebeu-se que não era o contexto correto da frase e o Congresso votou a deliberar normalmente.
Questionado sobre se as suas críticas feitas ao vazamento de informações que ocorreu com relação a processos em andamento na Polícia Federal teriam parecido uma "intervenção" na PF, o presidente negou.
— Pelo contrário. O que a PF não pode fazer é intervir por meio de vazamentos.
Segundo Temer, vazamentos não podem acontecer na PF e em nenhum outro setor onde processos são sigilosos.
Reeleição
O presidente Michel Temer afirmou que manifestações negativas, como a que ocorreu no 1º de Maio, quando prestou solidariedade às vítimas do incêndio em São Paulo, não interferem em decisões que pretende tomar.
Na ocasião, houve agressões verbais contra o presidente.
— Eu achei que seria falta de autoridade eu não comparecer [ao local onde o prédio desabou]. Lamento, mas tenho de enfrentar.
Questionado se a reação negativa de alguns presentes não afetaria sua intenção de disputar as eleições de outubro, o presidente foi claro: “Não seria este fato que me faria desistir da reeleição”. Temer acrescentou que tem até julho para decidir.
Formação do STF
Em meio às polêmicas e a falta de consenso sobre determinados temas entre os 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Temer sugeriu que se retome a discussão sobre a formação e indicação de nomes para compor a Corte.
Quando participou da Constituinte, Temer defendeu a proposta de um total de nove ministros — três sugestões de cada um dos Poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo) — com mandatos de 12 anos e possibilidade de renovação.
— É um modelo saudável, porque contempla os Poderes do Estado. Acho que seria útil.
Pela Constituição, apenas o presidente da República indica os integrantes da Corte e o cargo é vitalício até 75 anos.














