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Tribunal julga recurso de Dirceu contra condenação na Lava Jato

Ex-ministro da Casa Civil é acusado de receber propina da empreiteira Engevix e de desviar recursos da Petrobras para o PT e agentes públicos

Brasil|Diego Junqueira, do R7, em São Paulo

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Dirceu pode voltar à prisão após julgamento de hoje
Dirceu pode voltar à prisão após julgamento de hoje

O TRF4 (Tribunal Regional da 4ª Região) iniciou às 13h40 desta quinta-feira (19), em Porto Alegre, a sessão que julga os recursos do ex-ministro José Dirceu contra a condenação de 30 anos e 9 meses de prisão imposta pela corte de apelação da Lava Jato. Se os argumentos da defesa forem rejeitados, o ex-ministro pode voltar para a prisão.

Ministro da Casa Civil entre 2003 e 2005, durante o primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dirceu foi condenado em maio de 2016, em primeira instância, a 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva, pertinência à organização criminosa e lavagem de dinheiro por supostamente receber propina e favorecer a empreiteira Engevix em contratos com a Petrobras. O petista nega as acusações.

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Ele já estava preso desde agosto de 2015, portanto antes da condenação, por decisão do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, que considerava haver riscos para o cometimeto de novos crimes.

Em maio de 2017, no entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu habeas corpus ao ex-ministro por entender que a prisão era ilegal naquele momento, já que não havia elementos para uma detenção preventiva e porque o caso não tinha passado ainda pela segunda instância, condição que abre caminho para a pena ser executada.

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Dirceu deixou a prisão e desde então cumpre prisão domiciliar. Ele usa tornozeleira eletrônica, foi obrigado a entregar o passaporte e não pode deixar Brasília, onde mora.

O julgamento na segunda instância, pela 8ª Turma do TRF4, ocorreu em setembro de 2017, quando a condenação foi mantida e ampliada para 30 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado. 

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Formada pelos desembargadores João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus, a 8ª Turma não tomou a decisão de forma unânime. Gebran, que é relator na segunda instância das ações relacionadas à Lava Jato, queria pena maior, de 40 anos, mas foi vencido por Paulsen e Laus, que estabeleceram o aumento da pena de 20 para 30 anos.

Com o resultado de 2 a 1, abriu-se a possibilidade de os advogados de Dirceu entrarem com os recursos chamados "embargos infringentes", quando há possibilidade de pedir alteração do conteúdo da sentença. Nesse tipo de julgamento, também é necessário convocar mais desembargadores para analisar os recursos.

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Quando isso ocorre nas apelações da Lava Jato, o julgamento ocorre na 4ª Seção do TRF4, que reúne os seis desembargadores especializados em casos penais: além de Gebran Neto, Laus e Paulsen, são convocados os magistrados da 7ª Turma, Márcio Antônio Rocha, Claudia Cristina Cristofani e Salise Monteiro Sanchotene. A sessão é presidida pela vice-presidente do TRF4, desembargadora Maria de Fátima Labarrère, mas ela vota somente se o resultado dos embargos infringentes ficar empatado em 3 a 3. Caso contrário, vale o resultado dos seis desembargadores.

No julgamento de hoje, o desembargador Gebran Neto, que está de férias, foi suibstituído pelo juiz federal Nivaldo Brunoni.

Em tese, ainda cabem novos recursos da defesa, os embargos de declaração, mas se o TRF4 entender que esse pedido apenas será interposto para atrasar o julgamento, a tramitação do rpocesso em segunda instância poder ser considerada encerrada. O juizo de origem, a 13ª Vara Crininal de Curitiba, é comunicada, expedindo assim o pedido de prisão — possibilidade prevista pelo Supremo desde 2016.

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