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AGU processa 17 bets e pede R$ 1 bilhão por danos à população

Ação também cobra ressarcimento ao SUS e restituição em dobro de valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A AGU processa 17 empresas de apostas online, buscando ressarcimento de despesas do SUS e danos morais coletivos.
  • A ação destaca que cerca de 10,9 milhões de brasileiros têm padrão de jogo problemático, com impacto no SUS e na sociedade.
  • Solicita-se restituição em dobro para apostas de pessoas com ludopatia, caso as empresas não tenham tomado medidas preventivas.
  • O governo federal implementou medidas de regulamentação e fiscalização do setor de apostas, bloqueando sites ilegais e fiscalizando operadoras.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

AGU pede ressarcimento ao SUS e devolução de valores Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - 03.11.2023

A AGU (Advocacia-Geral da União) ajuizou nesta segunda-feira (28) uma ação civil pública contra 17 empresas de apostas online, as chamadas bets, para cobrar o ressarcimento de despesas do SUS (Sistema Único de Saúde) relacionadas aos danos atribuídos à prática de jogos de aposta.

Além do ressarcimento ao SUS, a União pede que as empresas sejam condenadas a pagar pelo menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos. A AGU também solicita a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia, o transtorno do jogo patológico, em determinadas situações.

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Segundo informações apresentadas na ação, cerca de 28 milhões de brasileiros apostam atualmente, dos quais 10,9 milhões apresentam padrão de jogo considerado de risco ou problemático. Entre janeiro de 2018 e dezembro de 2025, os atendimentos do SUS relacionados a diagnósticos de jogo patológico e comportamento de jogo excessivo cresceram aproximadamente 140%.

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AGU estima prejuízo de R$ 2,6 bilhões ao SUS

A AGU argumenta que os valores destinados atualmente pelas bets ao sistema de saúde são insuficientes para cobrir os custos associados aos problemas decorrentes das apostas.

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Segundo a ação, apenas 0,12% das destinações obrigatórias sobre a receita das operadoras são direcionados ao Ministério da Saúde. No último exercício, foram transferidos cerca de R$ 50 milhões pelas empresas.

O valor que poderá ser cobrado das bets para ressarcimento ao SUS ainda será calculado durante o processo, caso a Justiça acolha o pedido. Estudos preliminares do Ministério da Saúde citados pela AGU estimam um prejuízo mínimo de aproximadamente R$ 2,6 bilhões.

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Na ação, a AGU argumenta que as empresas concentram os ganhos da atividade enquanto os custos relacionados ao adoecimento dos apostadores são absorvidos pelo poder público e pela sociedade.

Apostas e impacto nas famílias

A União também sustenta que os efeitos das apostas não ficam restritos aos jogadores e podem atingir familiares, especialmente por causa do comprometimento da renda e do endividamento.

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De acordo com dados do Ministério da Fazenda citados na ação, as apostas teriam retirado aproximadamente R$ 62,5 bilhões dos orçamentos das famílias brasileiras em 2025.

O documento também menciona uma redução de aproximadamente 43% na variação mensal dos saldos bancários dos indivíduos após o início da prática de apostas. Segundo a AGU, o impacto sobre a atividade econômica nacional teria ficado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões, enquanto os efeitos relacionados à inadimplência no comércio varejista chegariam a cerca de R$ 143 bilhões.

A AGU cita ainda estudo do Ministério da Saúde segundo o qual os problemas relacionados às apostas afetam, em média, outras seis pessoas próximas ao apostador e podem estar associados a endividamento, agravamento da saúde mental e violência familiar.

Ludopatia

Outro pedido apresentado pela União é a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia.

A medida seria aplicada, segundo a ação, em situações nas quais as plataformas mantiveram o acesso e processaram depósitos mesmo após serem informadas sobre o diagnóstico ou quando deixaram de tomar providências diante de indicadores de risco que poderiam ser identificados pelas empresas.

A AGU pede ainda que essas apostas sejam consideradas nulas e que sejam afastadas cláusulas contratuais que transfiram integralmente para o apostador o risco financeiro ou restrinjam o direito à restituição.

Em caso de decisão favorável, a Justiça deverá estabelecer as regras gerais para identificar os consumidores que terão direito à devolução. Posteriormente, cada pessoa deverá comprovar que se enquadra nos critérios definidos e apresentar os valores envolvidos.

Governo diz ter bloqueado mais de 80 mil sites ilegais

A ação também cita medidas adotadas pelo governo federal para regulamentar e fiscalizar o setor de apostas.

Segundo a AGU, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda editou mais de 70 atos normativos, mantém uma plataforma de autoexclusão que já soma 1.294.328 usuários cadastrados, bloqueou mais de 80 mil sites ilegais e instaurou 270 processos fiscalizatórios contra 79 operadoras.

A União sustenta que as medidas de regulação e fiscalização aumentaram o dever das empresas de prevenir danos relacionados à atividade.

Quais são as empresas processadas

As 17 empresas acionadas pela AGU, segundo a ação, representam cerca de 80% do mercado nacional de apostas de quota fixa. São elas:

  • Kaizen Gaming Brasil Ltda. — Betano;
  • HS do Brasil Ltda. — Bet365;
  • SPRBT Interactive Brasil Ltda. — Superbet;
  • Ventmear Brasil S.A. — Sportingbet;
  • Esportes Gaming Brasil Ltda. — Esportes da Sorte e Onabet;
  • Foggo Entertainment Ltda. — Blaze;
  • NSX Brasil S.A. — Betnacional;
  • EB Intermediações e Jogos S/A. — Estrelabet;
  • Ana Gaming Brasil S.A. — 7K e Cassino;
  • OIG Gaming Brazil Ltda. — 7Games e Betão;
  • BPX Bets Sports Group Ltda. — Vaidebet;
  • H2 Licensed Ltda. — H2 Bet;
  • Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda. — Pixbet;
  • NVBT Gaming Ltda. — Novibet;
  • SevenX Gaming S/A. — Bullsbet;
  • NSX Betfair Brasil S.A. — Betfair;
  • Apollo Operations Ltda. — KTO.

A ação foi apresentada na Justiça Federal em Pernambuco. Segundo a AGU, a escolha do estado ocorreu porque dados do Ministério da Saúde apontam o Nordeste como a região com maior número de pessoas socioeconomicamente vulneráveis envolvidas em padrões de jogo de risco.

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