Análise: carta de Flávio mostra descompasso da oposição, que vive disputa por controle
Em fuga aos EUA, candidato derrotado à presidência divulga comunicado em que se declara ‘líder do Brasil’
Brasília|Do R7, com RECORD NEWS
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A carta divulgada por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28) deve ser lida como uma tentativa de controle da oposição, afirma o analista político Eduardo Bresciani em entrevista ao Link News. Após fugir para os Estados Unidos, o candidato derrotado à presidência emitiu um comunicado em que se autoproclama “líder do Brasil”.
“Ele agora tenta, do exterior, dizer que existe uma perseguição à oposição brasileira. É o discurso que o irmão dele já vinha fazendo. Esse discurso sensibiliza uma parte do governo norte-americano, que é a parte liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio.” Bresciani aponta que foi por meio desse discurso que foram impostas as primeiras tarifas ao Brasil no ano passado.
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O especialista ressalta que, para o presidente Donald Trump, apoiar Flávio e levantar um debate sobre a segurança dos sistemas eleitorais é oportuno. Às vésperas das eleições norte-americanas de meio de mandato, o republicano encara altas chances de perder a maioria no Congresso. “Todas as vezes que o Trump fala da eleição brasileira, no fim ele está falando da própria eleição americana”, diz Bresciani.
No entanto, ele aponta que ainda não há clareza sobre o movimento que envolve Flávio. Enquanto o senador chegou a se identificar como “verdadeiro presidente eleito” em um primeiro momento da chegada aos EUA, o PL (Partido Liberal) já havia publicado nota em reconhecimento à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições. Em sequência, o comunicado do senador foi alterado e as referências à suposta presidência retiradas.
“Há um descompasso um pouco entre o que essa nota do senador Flávio Bolsonaro traz e o que vem sendo tratado por alguns setores da oposição, e o pano de fundo disso é a disputa por este controle da oposição. Essa declaração do senador Flávio Bolsonaro é na mesma linha de que a família Bolsonaro quer continuar tendo o controle da oposição”, aponta o analista, que identifica “disputas claras” entre diferentes personalidades da direita.
Bresciani volta a analisar o discurso de perseguição aos oposicionistas. “É muito difícil você dizer que é uma perseguição a todos os opositores quando as maiores bancadas da Câmara e do Senado são do PL. É complexo dizer que há uma ditadura no Brasil quando a oposição ocupa muitos espaços políticos e muitos espaços de poder”, conclui.
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