O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (27) que o Banco Central analisa os itens usados para calcular a inflação de forma separada e em grupos, ao definir a Selic, a taxa básica de juros do país. A declaração de Haddad foi feita em referência a uma sugestão feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin na última segunda (24). Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, defendeu que o Banco Central estude desconsiderar o custo dos alimentos e da energia nos cálculos da Selic (leia mais abaixo).“Quem calcula a inflação é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que tem uma metodologia consagrada. Na verdade, o Banco Central avalia os núcleos de inflação, que muitas vezes desconsideram certa volatilidade de determinados preços. A análise dos núcleos já leva em consideração efeitos sazonais e determinado comportamento em virtude de choques externos, como é o caso de condições climáticas. O Banco Central tem uma metodologia de observância dos núcleos de inflação”, afirmou Haddad, ao destacar que o método da autoridade monetária está na mesma linha “daquilo que o vice-presidente imagina o mais correto.”“Todo relatório do BC tem uma análise de núcleos, justamente para verificar exatamente o que esta acontecendo, excluindo eventuais choques ou sazonalidades que podem, eventualmente, levar a uma interpretação dos dados que focam naquilo que mais importa na política monetária. Esse trabalho é rotina do BC. Os núcleos existem para isso. Tudo isso é considerado pelo Banco Central”, reforçou.Em evento nessa segunda, o vice-presidente sugeriu que o BC altere a forma de calcular a Selic. Na avaliação dele, o índice elevado encarece o custo de capital, o que interfere na economia. Especialistas ouvidos pelo R7 opinaram que retirar energia e alimentos da taxa básica de juros é “maquiar” a inflação e “tapar o sol com a peneira”. “Alimento é muito clima. Se eu tenho uma seca muito forte, uma alteração climática muito grande, vai subir o preço de alimento. E não adianta eu aumentar os juros que não vai fazer chover. Então, eu só vou prejudicar a economia”, declarou, ao citar os Estados Unidos.“Então, eles [EUA] excluem do cálculo [inflação dos alimentos e energia]. Eu acho que é uma medida inteligente, e a gente realmente [pode] aumentar os juros naquilo que pode ter mais efetividade na redução da inflação”, afirmou Alckmin, ao defender que a redução da inflação é “essencial”.“A inflação não é neutra socialmente, ela não é neutra, ela atinge muito mais o assalariado, que tem reajuste, normalmente, uma vez por ano e vê todo mês, todo dia, o seu salário perder o poder aquisitivo. Então, entendo, sim, que é uma medida que deve ser estudada pelo Banco Central brasileiro”, completou.O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação no Brasil, ficou em 1,31% em fevereiro, como mostrou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), puxado, principalmente, pelo custo da energia. É o maior resultado desde março de 2022, quando o índice alcançou 1,62%. O dado foi, ainda, o mais elevado para o mês de fevereiro desde 2003.A inflação acumulada em 12 meses está em 5,06% — índice acima de 3%, teto estabelecido pelo Banco Central, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A Selic é o principal meio usado pelo BC para alcançar a meta de inflação.