Após participar da posse de Barroso, Lula retorna ao Alvorada e se prepara para cirurgia no quadril
O procedimento ao qual o presidente da República será submetido vai ocorrer nesta sexta-feira (29), no Hospital Sírio-Libanês
Brasília|Plínio Aguiar, do R7 em Brasília

Após participar da cerimônia de posse do ministro Luís Roberto Barroso como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada nesta quinta-feira (28), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai retornar ao Palácio da Alvorada e se preparar para a cirurgia a que será submetido na sexta-feira (29) para tratar uma artrose no quadril direito.
Barroso assumiu a presidência do STF em substituição a Rosa Weber, ministra que se aposentou nesta quarta-feira (27). Com a mudança, o vice-presidente da Corte passará a ser o ministro Edson Fachin. Ministro do Supremo desde 26 de junho de 2013, Barroso é natural da cidade de Vassouras (RJ). É doutor em direito público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor titular de direito constitucional na mesma universidade.
A cerimônia de posse foi realizada na sede do STF, na praça dos Três Poderes, na capital federal, e foram enviados 1.200 convites para o evento. A cantora Maria Bethânia cantou o Hino Nacional durante a agenda.
A cirurgia a que Lula será submetido é uma artroplastia total de quadril, com a inserção de uma prótese híbrida. A intervenção cirúrgica era recomendada pela equipe médica, mas Lula vinha adiando a operação desde o fim do ano passado. Em diversas ocasiões, o presidente, de 77 anos, reclamou das dores que vinha sofrendo.
"Eu tomei uma decisão: vou operar o quadril nos próximos meses. É um procedimento bem simples. A dor me deixa de mau humor, e eu quero ficar de bom humor, porque eu assumi um compromisso para que o Brasil dê certo. E vai dar certo", disse Lula em uma rede social em julho.
"Às vezes, fica visível no meu rosto que estou irritado, que estou nervoso. E aí você vai ficando uma pessoa incômoda, uma pessoa chata, uma pessoa que ninguém quer falar bom-dia para você, com medo de tomar um esporro. Estou chegando à conclusão de que tenho que operar", acrescentou.
Segundo o Palácio do Planalto, Lula será submetido a uma anestesia geral durante a operação e deve permanecer no hospital ao menos até a próxima terça-feira (3). O tempo de recuperação é de, no mínimo, três semanas, intervalo em que o presidente vai despachar do Palácio da Alvorada.
Durante o período, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, não deve assumir a Presidência da República, segundo interlocutores do Palácio do Planalto. A possibilidade foi discutida pelas equipes do Planalto, mas foi descartada porque o vice pode tomar decisões caso aconteça algum episódio que imponha uma ação presidencial imediata.
Para Vera Chemin, especialista em direito constitucional e mestre em administração pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV), durante a cirurgia Lula não pode exercer a função de presidente, uma vez que vai estar sob anestesia, e isso é, obviamente, um impedimento. Ela cita o artigo 79ª da Constituição Federal, que versa sobre o caso.
"Substituirá o presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o vice-presidente. O vice-presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais", diz o trecho da Constituição.
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Nesta semana, Alckmin também descartou a medida. "Não há necessidade de o presidente se afastar do cargo, porque vai ser um período curto, praticamente um fim de semana, e depois ele despacha do Palácio do Alvorada. Os deslocamentos, eventos que têm fora do Brasil, nós poderemos representá-lo. Mas em minha opinião deve continuar. Não há necessidade de nenhum afastamento."
Recentemente, a Itaipu Binacional cedeu um carrinho elétrico de golfe a Lula para que ele se locomova durante a recuperação. De acordo com a empresa, o contrato de cessão do carrinho assinado com a Casa Civil estabelece que a Presidência da República deverá fazer as manutenções preventiva e corretiva indicadas no manual do proprietário, que foi entregue com o veículo.
Nos últimos dias, Lula foi criticado pela fala capacitista, que é a discriminação e o preconceito contra pessoas com alguma deficiência. "Vou ficar aqui em Brasília, não vou poder pegar avião, mas vou trabalhar normalmente. Vocês não vão me ver de andador nem de muleta, vão me ver sempre bonito, como se eu não tivesse sequer operado", declarou o presidente.
















