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Brasil pressiona X por falhas no Grok e investiga possíveis violações de direitos

Orgãos como o MPF já notificaram a plataforma para corrigir vulnerabilidades na sua ferramenta de inteligência artificial

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo federal brasileiro exige que a plataforma X corrija falhas em sua inteligência artificial Grok, devido a denúncias de segurança e violações de privacidade.
  • Há relatos de que a IA está sendo usada para manipular imagens de mulheres, gerando conteúdo de conotação sexual sem consentimento.
  • Órgãos como o MPF alertam sobre a responsabilidade tanto dos usuários quanto da empresa que desenvolve a ferramenta, principalmente em casos de danos causados.
  • Se o X não cumprir as determinações judiciais, poderá enfrentar multas, suspensão de atividades ou até proibição de funcionamento no Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

IA da plataforma é acusada de adulterar imagens de mulheres e incitar fake news Dado Ruvic/Reuters - Arquivo

Em meio a uma série de polêmicas envolvendo o Grok desde o fim do ano passado, o governo federal determinou que o X (antigo Twitter) implemente medidas imediatas para corrigir falhas na ferramenta. O Grok é o sistema de inteligência artificial da plataforma

A cobrança foi feita pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) e pelo MPF (Ministério Público Federal).


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A atuação conjunta dos órgãos ocorre após denúncias de falhas na segurança do sistema, possíveis violações à proteção de dados e riscos aos usuários.

Entre os principais pontos de preocupação estão relatos de que a IA estaria sendo usada para manipular imagens publicadas por mulheres nas redes sociais.


Desde o fim de 2025, milhares de denúncias em diferentes partes do mundo indicam que o Grok estaria atendendo a pedidos de usuários para manipular fotos, expondo mulheres nuas, de biquíni ou em situações de conotação sexual, sem qualquer consentimento.

A prática se encaixa no que especialistas classificam como “deep fake”: conteúdos gerados ou alterados por IA para simular situações que nunca ocorreram. O problema é que esse tipo de recurso pode ser usado para constranger vítimas, aplicar golpes, chantagear ou espalhar desinformação.


Responsabilidade compartilhada

O advogado criminalista Alan Januário afirma que, embora a tecnologia em si não seja ilegal, o uso indevido dela exige responsabilização. Segundo ele, a ausência de fiscalização contribui para a continuidade das práticas ilícitas.

“Caso não ocorra uma fiscalização firme para mitigar, responsabilizar e punir os culpados, os criminosos continuarão a se valer da facilidade de obtenção e utilização do aplicativo”, avalia.


O debate, contudo, não se limita aos usuários. A discussão também envolve a responsabilidade da própria empresa que desenvolve e disponibiliza a ferramenta.

Para o especialista em segurança pública Jaime Fusco, a empresa não pode se eximir alegando que o sistema opera com base em dados públicos.

“Caso o Grok forneça instruções perigosas que resultem em dano físico real, a alegação de que a responsabilidade decorre ‘dos dados públicos dos usuários’ não afasta o dever de responsabilização da empresa que desenvolve e disponibiliza a ferramenta”, explica.

Histórico de embates

Não é a primeira vez que a plataforma enfrenta problemas com o Brasil. Em 2024, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio da rede social após embates diretos com Elon Musk, dono da empresa.

Agora, o MPF determinou que, caso os relatórios periódicos não sejam apresentados pelo X no prazo, os envolvidos poderão responder por crime de desobediência.

A empresa também fica sujeita a investigações mais incisivas e ações judiciais, caso estas sejam necessárias para reparar danos e prevenir novos ilícitos como os que estão sob apuração.

Segundo Fusco, se houver descumprimento de ordens judiciais, o Judiciário pode impor multas, suspender temporariamente as atividades da plataforma ou até proibir seu funcionamento no país, como ocorreu em 2024.

“A circunstância de a operação ocorrer ‘em nuvem internacional’ não afasta a jurisdição brasileira quando os efeitos do dano se produzem no território nacional”, finaliza.

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*Estagiária do R7, sob supervisão de Letícia de Souza, editora de texto.

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