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Caso Silvio Almeida: projeto aumenta pena para prevaricação em casos de assédio

Apesar de ser acusado de assédio sexual, ex-ministro dos Direitos Humanos nega qualquer denúncia

Brasília|Rute Moraes, do R7, em Brasília

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No início de setembro, as denúncias contra o ministro Silvio Almeida foram reveladas pela organização Me Too Brasil Marcelo Camargo/Agência Brasil

O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) apresentou um Projeto de Lei (PL) para aumentar a pena do crime de prevaricação nos casos de denúncias de assédio moral, sexual ou importunação sexual. A ideia é endurecer as penalidades para autoridades que, em virtude de interesse pessoal ou político, negligenciam a investigação de eventuais denúncias.

Conforme Sanderson, a proposição surgiu a partir do caso do ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira 6, após denúncias de assédio sexual envolvendo funcionários da pasta e, até mesmo, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Almeida nega todas as acusações. O deputado alegou que casos como o do ex-ministro evidenciam a necessidade de medidas mais severas a fim de evitar que autoridades públicas ignorem denúncias graves.

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“A gravidade das denúncias, diante da atual conjuntura política, leva a crer que o presidente Lula e seus ministros, em tese, retardaram a apuração das práticas de assédio com o objetivo de satisfazer interesses pessoais, especialmente políticos, em detrimento da devida investigação”, argumentou Sanderson na proposta.

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O deputado defendeu ainda ser fundamental que o ordenamento jurídico evite omissões nas esferas do poder público. “Enquanto legisladores e representantes do povo, não podemos nos manter em silêncio diante do crescimento dos casos de assédio, especialmente no âmbito da administração pública”, concluiu.

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Denúncias contra Silvio Almeida

No início de setembro, as denúncias contra o ministro foram reveladas pela organização Me Too Brasil, que alegou que as “vítimas enfrentaram dificuldades em obter apoio institucional para a validação de suas denúncias”. “Diante disso, autorizaram a confirmação do caso para a imprensa”, informou a organização.

Segundo o portal Metrópoles, o episódio com Anielle teria ocorrido em maio de 2023, durante uma reunião oficial sobre o combate ao racismo. Na ocasião, Silvio Almeida teria “passado a mão entre as pernas” da ministra. Além dos dois, participaram do encontro o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor-presidente substituto da Anac, Tiago Pereira.

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Participantes do encontro relataram, conforme o portal, não terem visto o momento do suposto assédio de Silvio Almeida a Anielle. Contudo, disseram que a ministra terminou o encontro “visivelmente incomodada”, de acordo com o Metrópoles. A Comissão de Ética da Presidência da República abriu de ofício uma investigação para apurar as denúncias recebidas pela Me Too Brasil. O caso também é investigado pela Polícia Federal.

Após a demissão de Almeida, outras denúncias surgiram. Ao jornal O Estado de São Paulo, Ariel de Castro Alves, ex-secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ligada ao MDH, disse que o governo federal “sabia desde janeiro” das denúncias. Além disso, que “mais de 50″ pessoas deixaram a pasta “chateados e frustrados” com as atitudes de Almeida e de suas principais assessoras.

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