Cronologia do colapso: da primeira suspeita à prisão de Jair Bolsonaro
Acompanhe os fatos que construíram o caminho jurídico e político que resultou na condenação histórica do ex-presidente
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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A condenação de Jair Bolsonaro marca um capítulo sem precedentes na história política do Brasil. Pela primeira vez, um ex-chefe do Executivo foi responsabilizado judicialmente por envolvimento em uma tentativa de ruptura institucional.
A decisão teve início na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), onde quatro ministros — Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — formaram maioria pela condenação. O único voto divergente foi o de Luiz Fux. A pena fixada alcançou 27 anos e 3 meses de prisão.
A acusação sustentou que o ex-presidente participou de uma ofensiva coordenada para tentar desmontar o Estado Democrático de Direito. Os crimes apontados incluíram tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, agressões ao patrimônio público histórico e ameaças violentas às instituições da República.
O episódio que simbolizou essa ruptura ocorreu em 8 de janeiro de 2023. Naquela data, grupos mobilizados por semanas em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, partiram para os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.
Os ataques deixaram rastros de destruição em obras tombadas, instalações administrativas e símbolos da República. Bolsonaro não estava no país, encontrava-se nos Estados Unidos, mas já era monitorado pela Polícia Federal como possível articulador da ofensiva institucional.
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Diante da gravidade dos acontecimentos, o governo recém-empossado de Luiz Inácio Lula da Silva decretou intervenção na segurança pública do Distrito Federal. A medida foi acompanhada de prisões em massa no acampamento montado em frente ao Exército, com mais de mil detidos.
Com o avanço das investigações, a PGR apresentou uma denúncia que dividia os envolvidos em quatro núcleos: operacional, estratégico, de comando e de desinformação. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o planejamento para interferir no resultado eleitoral e manter Bolsonaro no poder teria começado ainda em 2021, com desdobramentos até os ataques de 2023.
Parte fundamental para desvendar a dinâmica do grupo foi a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Ele forneceu elementos que revelaram reuniões, rascunhos de decretos e diálogos internos sobre medidas de exceção. Em depoimentos, Bolsonaro negou ter liderado qualquer ação golpista, embora tenha admitido que circulavam entre seus aliados ideias de um decreto de intervenção, que ele afirmou ver como juridicamente possível.
Além de Bolsonaro, também foram condenados nomes centrais da cúpula militar e política, como os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio, o almirante Almir Garnier, o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, todos citados como peças do tabuleiro que sustentou a tentativa de ruptura institucional.
Linha do tempo — Da invasão de Brasília à condenação
8 de janeiro de 2023- Ponto alto e o começo de tudo.
Apoiadores de Bolsonaro invadem o Congresso Nacional, o STF e o Palácio do Planalto, depredando obras e instalações históricas. O ex-presidente estava nos EUA durante os ataques, mas já era alvo da PF como possível articulador de um plano golpista.
Após janeiro de 2023
A delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, ganha relevância. Ele relata encontros de Bolsonaro com ministros, militares e embaixadores, nos quais o então presidente questionava a integridade das urnas.
Segundo turno de 2022 (investigações posteriores revelam)
Mensagens e depoimentos indicam que a PRF teria atuado para dificultar o acesso às urnas em regiões favoráveis a Lula.
Dezembro de 2022
Após a diplomação de Lula, ocorre vandalismo em Brasília, tentativa de ataque à sede da PF e descoberta de uma bomba perto do aeroporto da capital.
Ainda em dezembro, surge a minuta golpista e o plano chamado “punhal verde-amarelo”, que previa os assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes.
26 de abril de 2023
Bolsonaro presta depoimento à PF e é apontado como incentivador do 8 de janeiro, por publicações em suas redes sociais em que questionava o resultado eleitoral.
7 de junho de 2023
PF encontra no celular de Mauro Cid minuta de decreto de GLO e textos que dariam suporte jurídico a um golpe. Cid estava preso desde maio por fraude em cartões de vacinação.
21 de setembro de 2023
Em delação à PF, Mauro Cid relata reunião de Bolsonaro com a cúpula das Forças Armadas para discutir os termos de um golpe de Estado.
22 de fevereiro de 2024
Bolsonaro é convocado a depor sobre tentativa de golpe, mas permanece em silêncio. A defesa alega que não teve acesso total ao material apreendido.
21 de novembro de 2024
A PF indicia Bolsonaro e mais 36 investigados por tentativa de golpe, incluindo Mauro Cid.
18 de fevereiro de 2025
A PGR denuncia Bolsonaro e outros 33 envolvidos por tentativa de golpe de Estado.
26 de março de 2025
A Primeira Turma do STF aceita a denúncia e torna Bolsonaro e mais sete colaboradores réus.
10 de junho de 2025
Bolsonaro é interrogado no STF. Ele nega articulação golpista, mas admite ter cogitado “alternativas” para contestar o resultado das eleições.
Março – junho de 2025
Bolsonaro participa de atos públicos no RJ, SP e DF pedindo anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro. A manifestação de 29 de junho reúne entre 12,4 e 16,4 mil pessoas, dependendo da fonte.
7 de julho de 2025
Donald Trump sai em defesa de Bolsonaro nas redes, chamando o caso de “caça às bruxas”.
22 de julho de 2025
Defesa de Bolsonaro pede esclarecimento sobre limites da proibição de uso de redes sociais.
3 de agosto de 2025
Vídeos com Bolsonaro circulam durante atos públicos em Brasília, Rio e São Paulo, em descumprimento das cautelares. Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira publicam interações com o ex-presidente.
4 de agosto de 2025
Alexandre de Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro por reiterada violação de medidas impostas.
15 de agosto de 2025
Cristiano Zanin agenda para 2 de setembro o julgamento do núcleo principal do processo.
2 de setembro de 2025
Início do julgamento na Primeira Turma do STF.
9 de setembro de 2025
Sessão é retomada para definição de votos.
11 de setembro de 2025
Bolsonaro é condenado a 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado e ao pagamento de 124 dias-multa, com valor equivalente a dois salários mínimos por dia de multa. Placar final: 4 a 1.
22 de novembro de 2025
Bolsonaro é preso na Superintendência da PF após tentativa de romper a tornozeleira eletrônica.
25 de novembro de 2025
Alexandre de Moraes declara a condenação definitiva, não cabendo mais recurso contra a decisão.
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