Daniel Vorcaro afirma à PF que BRB não teve prejuízo em negociação com o Master
Em depoimento, empresário garante que transações não chegaram a ser concluídas e nega dano ao Banco de Brasília
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O empresário Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram operações financeiras envolvendo o Banco Master, o BRB (Banco de Brasília) e a empresa Tirreno. Ouvido na condição de investigado, Vorcaro afirmou reiteradas vezes que as negociações não geraram prejuízo ao BRB nem a clientes finais, sustentando que as operações acabaram sendo desfeitas antes de sua efetiva concretização .
Durante a oitiva, ocorrida em 30 de dezembro de 2025, Vorcaro declarou que os valores envolvidos permaneceram sob controle do Banco Master e nenhuma cobrança chegou a ser feita aos tomadores de crédito. Segundo o ex-banqueiro, “não teve prejuízo para o BRB, esse negócio todo que a gente está tratando”, reforçando que a operação foi interrompida ainda na fase preliminar.
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O empresário também destacou que, como as transações não foram finalizadas, os créditos não chegaram a ser registrados como receita do banco. “A operação não foi concretizada”, garantiu, acrescentando que os valores ficaram alocados em conta transitória enquanto se aguardava a regularização documental.
Ao ser questionado sobre os impactos das negociações, Vorcaro afirmou que não houve danos nem mesmo aos clientes na ponta do sistema. “Não teve prejuízo para sequer um cliente na ponta final, porque a gente não cobrou”, declarou à PF, explicando que os contratos só passariam à fase de cobrança após a formalização definitiva das operações.
Relação com o BRB
Vorcaro relatou que, ao identificar problemas na documentação apresentada pela Tirreno, o Banco Master acionou cláusulas contratuais para desfazer os negócios e promover a devolução dos valores. Segundo ele, o BRB acabou recompondo sua posição por meio da aquisição de outros ativos do Master. “A gente devolveu o dinheiro e depois eles compraram outros ativos nossos”, salientou.
O investigado também declarou que as operações de cessão e recompra de carteiras são práticas comuns no mercado financeiro, e que, no caso específico, o volume chamou atenção por ter sido necessário desfazer toda a transação. Ainda assim, sustentou que o BRB “só teve resultados positivos” nas negociações realizadas com o Banco Master ao longo do período analisado.
Suspeitas de irregularidades e pressão do BC
O depoimento ocorreu em meio à ampla repercussão do caso que envolve o Banco Master, instituição que entrou no radar das autoridades após questionamentos do Banco Central sobre sua liquidez, governança e operações com grandes volumes de crédito consignado. As suspeitas culminaram em medidas cautelares, investigações criminais e na prisão de Vorcaro, posteriormente substituída por medidas alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A situação ganhou ainda mais destaque com as tratativas para uma possível aquisição do Banco Master pelo BRB, negociação que acabou não avançando. Vorcaro afirmou à PF que o Banco Central acompanhava “diariamente” as operações da instituição e buscava, junto ao regulador, uma solução de mercado para evitar maiores impactos ao sistema financeiro.
Mesmo diante das investigações e da exposição midiática, o empresário insistiu que o Banco Master permaneceu solvente até a intervenção e que os problemas enfrentados não decorreram de fraudes deliberadas, mas de mudanças regulatórias e pressões de mercado. As apurações seguem em andamento.
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