Sem provas e derrotado, Flávio questiona vitória de Lula e fala em novas eleições antes de 2030
Em primeira live após deixar o Brasil, senador diz que perdeu para o ‘sistema’, ataca STF e TSE e prevê queda antecipada do governo Lula
Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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Derrotado nas eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar o resultado das urnas, atacou a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e acenou com a possibilidade de uma nova disputa presidencial antes de 2030.
As declarações foram feitas nesta sexta-feira (30), durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, a primeira manifestação pública do parlamentar depois de deixar o Brasil e ir embora para os Estados Unidos.
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Sem apresentar provas de fraude ou irregularidades capazes de alterar o resultado do pleito, Flávio afirmou que não concorda com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atribuiu sua derrota à atuação de instituições e a supostas irregularidades que, segundo ele, teriam beneficiado o adversário.
“Em algum momento eu vou explicar, porque foram vários gols de mão que o adversário fez e que não foram anulados aí pelo VAR, jogou completamente fora da legislação eleitoral”, disse Flávio. No entanto, ele não apresentou dados, documentos ou evidências que sustentassem as acusações.
De acordo com o senador, ele perdeu para “o sistema” e “todo mundo aí sabe disso”. O resultado oficial do segundo turno, anunciado pelo TSE, deu a vitória a Lula, com 64,2 milhões de votos (51,79% dos válidos), contra 59,8 milhões de Flávio (48,21%).
“Enquanto nós não tivermos mais camadas de segurança para as eleições, elas vão continuar acontecendo diante do manto da desconfiança”, acrescentou o ex-candidato derrotado.
O discurso retoma a estratégia de questionamento do processo eleitoral que marcou a atuação do bolsonarismo em disputas anteriores. Desta vez, porém, Flávio foi além das críticas ao resultado e mencionou a possibilidade de novas eleições antes do calendário regular, que prevê a próxima disputa presidencial em 2030.
“Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui, pronto. Inclusive, se for preciso para disputar a Presidência da República de novo, esses quase 60 milhões de votos que vocês me deram, para mim, significa demais”, comentou.
“Isso me dá muita consciência e ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso.”
Flávio tomou decisão de ir embora após ouvir o pai
Na transmissão, Flávio explicou que decidiu deixar o país durante a última visita que fez ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Flávio disse que, ao ser abordado por policiais federais naquele dia para entregar os passaportes, Bolsonaro pediu aos delegados da Polícia Federal que se afastassem um pouco para que os dois pudessem conversar a sós.
Flávio disse que Bolsonaro olhou para ele e perguntou: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”. Em resposta, o senador disse: “Pai, já sei. Acho que Deus está no comando de tudo. Estou preparado. Vou enfrentar. Agora eu sei o que eu tenho que fazer”.
O senador alegou perseguição judicial e disse que, se continuasse no Brasil, poderia terminar preso, assim como o pai e outros aliados.
“Eu entendi qual era o cenário e eu dei um passo atrás para dar dois para a frente”, comentou.
Além disso, Flávio disse que, se permanecesse no Brasil, seria apenas “mais uma voz calada, censurada e injustiçada”, a exemplo do que ocorreu com Bolsonaro, e que a sua liberdade e a apreensão de seus passaportes seriam transformadas em moeda de troca para chantagear seu grupo político e impor acordos.
“Eu não tinha nenhuma dúvida de que eu seria usado como moeda de troca para algum interesse do sistema. Eu perdi para o sistema, não perdi para o meu adversário. Todo mundo aí sabe disso. Então, eu falei que eu não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza, não, gente. Eu posso ser tudo, menos burro. Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam e rápido, mais rápido do que imaginava”, afirmou.
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