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Desenrola 2.0: veja o que se sabe sobre o novo programa de renegociação de dívidas

Iniciativa deve oferecer descontos de até 90% nas dívidas e permitir uso do FGTS para acerto das contas

Economia|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O programa Desenrola 2.0 oferecerá descontos de até 90% em dívidas e permitirá uso do FGTS para renegociação.
  • A proposta visa ajudar famílias endividadas, focando em dívidas com juros altos como cartão de crédito e cheque especial.
  • Especialistas destacam que, embora a medida seja benéfica, é necessário abordar causas estruturais do endividamento.
  • O governo espera que o programa entre em vigor após anúncio presidencial, não sendo uma medida recorrente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo aposta em abatimentos elevados para tirar milhões de brasileiros do endividamento Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 29.07.2022

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o novo programa de renegociação de dívidas do governo, o Desenrola 2.0, deve oferecer descontos de até 90% e permitir o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A proposta foi finalizada em conjunto com instituições financeiras e será apresentada ao presidente nos próximos dias, com possibilidade de lançamento em 1º de maio, Dia do Trabalhador.

Segundo o ministro, o programa foi estruturado após negociações com os principais bancos do país. “Estamos concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras”, disse.


O foco serão as dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. “O programa tem como linha geral exigir reduções nas dívidas que mais impactam as famílias brasileiras hoje”, afirmou Durigan.

Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam que a proposta pode trazer alívio para milhões de brasileiros. Para o professor de Ciências Contábeis Alisson Batista, o desconto elevado pode ajudar famílias em situação de superendividamento.


“Indicadores da CNC mostram que mais de 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em março. O programa pode dar um fôlego importante para que consigam renegociar valores que hoje não têm condições de pagar”, afirmou.

O professor de finanças Marcos Melo pondera que, embora a redução de até 90% seja relevante, a medida não resolve as causas estruturais do endividamento. “É necessário enfrentar fatores como juros elevados, baixa educação financeira e limitações da economia brasileira”, destacou.


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Juros menores e nova linha de crédito

Além dos descontos, o governo pretende garantir melhores condições de pagamento. “Com uma dívida menor, será possível acessar um novo financiamento com taxas mais aceitáveis”, explicou Durigan.

Atualmente, os juros desses tipos de crédito variam entre 6% e 10% ao mês, o que dificulta a saída do ciclo de endividamento. “Uma família brasileira muitas vezes não consegue sair desse processo de atualização constante da dívida”, afirmou o ministro.


Para especialistas, a renegociação deve vir acompanhada de mudança de comportamento financeiro. “Evitar o uso de crédito após quitar dívidas é essencial. A reorganização do consumo e das prioridades é o que garante uma melhora sustentável”, disse Alisson Batista.

Descontos podem chegar a 90%

Durigan destacou que o programa deve reduzir significativamente o valor das dívidas. “Com um desconto amplo, podemos chegar a reduções de até 90%”, afirmou.

Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil poderia ser renegociada por cerca de R$ 1 mil, com juros mais baixos.

Uso do FGTS está mantido

O ministro confirmou que o FGTS poderá ser utilizado na renegociação e negou que haverá exigência de quitação total para acessar o recurso. “Não há essa limitação”, afirmou.

Segundo ele, a ideia é permitir que o trabalhador use parte do saldo para sair do endividamento. “Você não está se endividando com o FGTS, está usando o recurso para quitar uma dívida”, explicou.

Para Marcos Melo, a medida pode ajudar no curto prazo, mas exige cautela. “O uso do FGTS pode aliviar a situação imediata, mas também compromete a segurança financeira futura. É uma solução paliativa”, avaliou.

Programa deve alcançar milhões

A expectativa do governo é atingir dezenas de milhões de brasileiros. “Haverá um chamado à ação para que as pessoas procurem seus bancos e renegociem suas dívidas de forma simples”, disse Durigan.

O ministro ressaltou que o Desenrola 2.0 não será um programa recorrente. “Não se trata de um Refis periódico. As pessoas não devem contar com a repetição desse tipo de medida”, afirmou. O objetivo, segundo ele, é atacar um problema específico de endividamento elevado que compromete a renda das famílias.

Prazo limitado

A previsão é que o programa entre em vigor logo após o anúncio presidencial. “Assim que o presidente anunciar, o programa já estará operacional e disponível para a população”, disse o ministro.

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