Brasília DF tem 9,7 mil jovens entre 16 e 17 anos com título de eleitor, menor número da história

DF tem 9,7 mil jovens entre 16 e 17 anos com título de eleitor, menor número da história

A um mês do fim do prazo para emitir documento, 10,4% dos 93,8 mil dessa faixa etária estão aptos a votar; em 2018 eram 14,5 mil

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Título de eleitor foi solicitado por 10,4% entre os que têm 16 e 17 anos

Título de eleitor foi solicitado por 10,4% entre os que têm 16 e 17 anos

Reprodução/Agência Brasil

A participação política dos adolescentes atingiu o menor nível em período eleitoral no Distrito Federal, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A pouco mais de um mês para o fim do prazo de emissão do título de eleitor, 9.764 jovens entre 16 e 17 anos estão com o documento em mãos e aptos a votar nas eleições gerais de outubro. A faixa etária compreende o grupo de pessoas que têm permissão para votar, mas não são obrigadas a comparecer às urnas.

O montante representa 10,4% da população desta faixa etária na capital federal, que é de 93.837 pessoas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A série histórica com dados do TSE separados por idade são a partir de 2004. Na data do último pleito, em outubro de 2018, 14.538 adolescentes entre 16 e 17 anos estavam inscritos na Justiça Eleitoral. A redução para este ano é de 32,8%.

Os números do tribunal mostram que o número de adolescentes dessa faixa etária tem caído gradativamente desde 2010. Em outubro daquele ano, eram 22.729 entre 16 e 17 anos com o título de eleitor. No mês das eleições de 2014, o número passou para 21.975 pessoas.

Para o analista político Alexandre Bandeira, a frustração política dos jovens é preocupante, pois tem consequências práticas. Ele diz que a baixa procura pelo alistamento dos jovens é termômetro para o sentimento da sociedade como um todo, mas permitido porque o voto para essa faixa etária é facultativo.

"A política ainda não aprendeu a se aproximar e criar vínculos com essa juventude", ponderou. "Esse juventude foi inserida na pauta de renovação da nova política, foi para a rua e se frustrou com o trabalho dessa classe". Para ele, a pandemia de coronavírus também contribui para essa dissociação entre a política e a juventude.

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TSE/Divulgação - 13.12.2021

A cientista política e coordenadora da ONG Elas no Poder, Karin Vervuurt, concorda, e acrescenta que a polarização e ausência de discussão de projetos políticos também contribui para esse cenário. "A política não está mais vendendo sonhos, perspectivas de futuro, isso para o jovem é muito ruim, porque o jovem é esse futuro, e não estão ouvindo falar sobre isso. Imagino que isso os deixe desacreditados com a política como forma de mudança social e de vida". 

O grupo de jovens com título representa 0,46% dos 2,1 milhões de eleitores habilitados no DF. A maior participação até agora, em 2022, é feminina: as jovens somam 5,5 mil eleitoras nessa faixa etária, o que corresponde a 56,3% do total. 

Representação

"Votamos em quem vai representar nossos interesses no Congresso. O jovem não votando, ele não vai ter essa representação, então quem via representar o jovem?", indaga Vervuurt. "O que pode acontecer é que a política e o jovem vão estar cada vez mais distantes, impossível esse diálogo um com o outro e no final das contas, quem perde é a democracia, é o Brasil, são as políticas públicas que não vão estar representando esses jovens. A política é ferramenta essencial para conquistar direitos". 

Alexandre Bandeira também lembra que é no ambiente político que há a discussão de pautas de interesse dessa classe, tendo em vista que o modelo de democracia brasileiro é o representativo. "Tem candidaturas que são mais sensíveis e conseguem conversar melhor com esse público e que serão prejudicadas por não ter esse público votando".

O voto facultativo a partir dos 16 anos foi aprovado pelo plenário pela Assembleia Constituinte em março de 1988. O direito do voto antes dos 18 anos só é previsto na legislação de outros dez países.

Título de eleitor

A procura reduzida levou o TSE a lançar uma campanha nacional com para ampliar o registro dos mais jovens. Adolescentes que completarão 16 até 2 de outubro também podem solicitar o título de eleitor.

Uma das opções para emitir o título é fazer o cadastro pela internet, na página do TSE, na opção "Tire seu título". O processo por ser feito tanto pelo computador quanto pelo celular. Em seguida, basta clicar em "Iniciar seu atendimento à distância".

É preciso anexar fotos de documentos oficiais, como carteira de identidade e comprovante de residência. O comprovante de quitação com o serviço militar só é exigido para os homens entre 18 e 45 anos. Quando o processo for concluído, o documento digital estará disponível pelo aplicactivo e-título. Esse documento deverá ser apresentado no dia da eleição. O prazo para essa solcitação termina em 4 de maio.

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