Do k-pop à diplomacia: como a cultura impulsiona a parceria Brasil-Coreia do Sul
Em entrevista ao R7, o embaixador sul-coreano detalhou o avanço nas relações diplomáticas e econômicas entre os dois países
Brasília| Deborah Hana Cardoso, da RECORD
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A influência da cultura sul-coreana no Brasil nunca foi tão forte. O interesse por artistas de K-pop, séries, gastronomia, idioma e costumes do país asiático cresce a cada ano e mobiliza milhões de brasileiros.
Esse fenômeno pode ser medido pela força do grupo BTS no Brasil. A sensação do K-pop realizará, no fim de outubro, três shows em São Paulo, que registraram uma demanda de 3,7 milhões de ingressos, segundo dados da Ticketmaster. Considerado o maior e mais influente grupo de K-pop do mundo, o BTS reúne atualmente cerca de 32,9 milhões de ouvintes mensais no Spotify, além de uma legião de admiradores no Brasil e no mundo.
Os chamados K-dramas também conquistaram espaço entre o público nacional e se transformaram em um dos conteúdos estrangeiros mais consumidos nas plataformas de streaming.
Produções como Boys Over Flowers, Pousando no Amor (Crash Landing on You), Reply e Round 6 (Squid Game) ganharam popularidade e passaram a ocupar espaço frequente nas redes sociais, ampliando a curiosidade dos brasileiros sobre a cultura coreana.
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O crescente interesse pela Coreia do Sul também impulsionou o trabalho de influenciadores especializados no tema. Nomes como Thais Midori, com 1,2 milhão de seguidores, Mayla Kellen, com 111 mil seguidores, e Paula Baptistoni, com 421 mil seguidores, apresentam aos brasileiros aspectos do cotidiano sul-coreano, da gastronomia ao turismo.
Muitos desses criadores de conteúdo visitam regularmente o país asiático para mostrar aos seguidores desde as famosas lojas de conveniência e mercados tradicionais até pontos turísticos, feiras culturais e hábitos locais.
A maioria desembarca em Seul, capital do país, enquanto Busan também figura entre os destinos mais procurados.
Em meio ao crescimento da chamada Onda Coreana (Hallyu), o R7 conversou com o embaixador da República da Coreia no Brasil, Choi Yeonghan, sobre os impactos desse intercâmbio cultural e sobre como essa aproximação tem contribuído para fortalecer as relações diplomáticas, econômicas e estratégicas entre Brasília e Seul.
Confira a entrevista completa:
R7: Como o senhor avalia a receptividade dos brasileiros à cultura coreana?
Choi Yeonghan: O interesse pela cultura coreana no Brasil está deixando de ser apenas uma tendência e se tornando uma base diplomática que conecta os dois países. Isso porque, por meio da cultura, os povos dos dois países, situados em lados opostos do planeta, vêm se comunicando, colaborando e construindo laços de amizade.
R7: Como o senhor avalia o mercado brasileiro e por que ele é tão atrativo?
Choi Yeonghan: O Brasil, com uma população de aproximadamente 200 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) nominal de cerca de US$ 2,27 trilhões em 2025, é o maior país da América Latina. Para a Coreia, é especialmente o maior parceiro comercial na América do Sul. Em fevereiro e julho deste ano, os líderes dos dois países, por meio de visitas de Estado recíprocas, reafirmaram a importância dessa relação e manifestaram a intenção de que ambos se tornem pontes estratégicas entre a América Latina e a Ásia.
R7: E no âmbito político, quais avanços podem ser destacados?
Choi Yeonghan: Pode-se dizer que este ano foi marcado por uma expansão significativa da base institucional para o intercâmbio cultural entre os dois países. Por ocasião da visita de Estado do presidente Lula à Coreia, em fevereiro passado, as relações entre os dois países foram elevadas ao nível de Parceria Estratégica, tendo sido também adotado um Plano de Ação de quatro anos (2026-2029) para concretizá-la.
Nesse Plano de Ação, cultura e educação foram incluídas como áreas específicas de cooperação, e os dois países concordaram em promover uma ampla cooperação em cinema e audiovisual, games, música, idiomas e educação, bem como no intercâmbio de estudantes e pesquisadores.
R7: Afinal, o que torna a cultura sul-coreana tão atrativa?
Choi Yeonghan: Acreditamos que a cultura coreana seja apreciada porque expressa, com a sensibilidade e a criatividade próprias da Coreia, temas com os quais qualquer pessoa pode se identificar, independentemente de nacionalidade ou idioma, como família, amor, amizade e crescimento.
Outro ponto forte é a diversidade. Atualmente, a Onda Coreana vem ampliando seu alcance para além do K-pop, K-drama e K-food, abrangendo também beleza, moda, webtoons, games e língua coreana. Por exemplo, alguém que gosta de K-pop passa a estudar coreano para compreender as letras das músicas.
No ano passado, entrou em vigor o Acordo de Working Holiday entre a Coreia e o Brasil, estabelecendo uma base para que jovens dos dois países possam visitar o país parceiro e vivenciar diretamente as culturas locais.
R7: Que esforços a República da Coreia vem realizando para manter essa influência cultural?
Choi Yeonghan: O governo coreano vem realizando esforços no âmbito de políticas representadas pela chamada K-Initiative, buscando ir além da simples apresentação e exportação da cultura coreana para o exterior. Trata-se de uma concepção de cooperação global destinada a compartilhar com a comunidade internacional as experiências e capacidades da Coreia não apenas na cultura, mas também na indústria, tecnologia e democracia.
Esses esforços também se refletem claramente nas atividades das missões diplomáticas coreanas no exterior. Nossa Embaixada também vem planejando, sob o tema Korea Week (Semana da Coreia), diversos conteúdos de acordo com a demanda local no Brasil, incluindo K-pop, K-food, K-drama e cinema, taekwondo, língua coreana, estudos na Coreia e intercâmbio entre jovens.















