Ex-secretário da Receita falta novamente a depoimento sobre investigações da Abin Paralela
Nome dele foi citado na gravação para tentar livrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de investigação da Receita

O ex-secretário da Receita Federal José Barroso Tostes Neto faltou novamente ao depoimento marcado para esta segunda-feira (29) na sede da Polícia Federal, em Brasília. O nome de Tostes foi citado na gravação de uma reunião de 2020, na qual foi discutida formas de tentar livrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de investigação da Receita sobre supostos desvio de parte dos salários dos funcionários do gabinete dele na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), enquanto ele era deputado estadual.
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Na última quinta-feira (25), Tostes já havia faltado e pediu remarcação. Na gravação, o ex-presidente Jair Bolsonaro sugeriu às advogadas do filho conversar com o Tostes para anular relatórios produzidos pelo órgão contra Flávio. “Ninguém tá pedindo favor aqui. É o caso conversar com o chefe da Receita? O Tostes”, disse Bolsonaro.
A gravação da reunião tem uma hora e oito minutos de duração e foi obtida pela Polícia Federal. No dia 15 de julho, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes retirou o sigilo sobre a gravação e divulgou a transcrição do áudio. Também participaram dessa reunião o então ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno e duas advogadas de Flávio.
No diálogo com a defesa do senador, o ex-presidente também prometeu levar o tema ao ex-presidente da Dataprev, Gustavo Canuto. “Vou conversar com ele sozinho”, disse Bolsonaro. Nas redes sociais, um dos advogados do ex-presidente, Fabio Wajngarten, disse que a gravação “só evidencia o quanto o presidente Jair Bolsonaro ama o Brasil e o seu povo”.
A sugestão de conversar com Canuto surgiu após as advogadas de Flávio pedirem que o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) investigasse os acessos de auditores da Receita aos sistemas do órgão para a produção de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) contra Flávio.
Segundo elas, os responsáveis pela investigação do senador teriam elaborado os relatórios de forma ilegal, e uma eventual investigação do Serpro conseguiria identificar as supostas irregularidades para cancelar as provas feitas contra o senador.















