Brasília Exposição busca conscientizar mulheres sobre câncer de mama

Exposição busca conscientizar mulheres sobre câncer de mama

A exposição 'Simplesmente Amor', que já passou pelo Buriti, CLDF e Senado Federal, mostra mulheres que fizeram mastectomia

  • Brasília | Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

Exposição busca conscientizar mulheres

Exposição busca conscientizar mulheres

Luciana Ferry

Iniciada no dia 1º de outubro, a exposição "Simplesmente Amor" traz fotos de mulheres que passaram pela retirada do seio em decorrência do câncer de mama. A mostra começou neste ano no Palácio do Buriti e já passou também pela CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) e pelo Senado Federal. A campanha conta a história de oito mulheres que já venceram a doença ou que ainda estão em tratamento em quadros e totens dispostos nos espaços que receberam a exposição.

Neste ano, no dia em que se comemora o Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama (19 de outubro), a campanha contou também com a projeção de frases de conscientização sobre a data, no Congresso Nacional, das 19h às 22h.

A Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília nasceu com a finalidade de dar assistência e promover a prevenção. A equipe da associação possui uma parceria institucional com os Poderes Legislativo (Congresso Nacional e Câmara Legislativa do DF) e o Executivo (Secretaria de Estado da Mulher) para realização de ações durante o Outubro Rosa.

Segundo a fundadora da ONG Recomeçar Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, Joana Jeker dos Anjos, desde 2013, a cada ano, durante outubro, que é o mês dedicado à conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama, a associação realiza exposições em parceria com representantes dos Poderes Executivo e Legislativo. Desde 2013, todos os anos são expostos ensaios fotográficos de mulheres mastectomizadas nos espaços decisórios de Brasília. A ideia é buscar nesses locais o apoio de autoridades e tomadores de decisão.

E a iniciativa vem trazendo resultados. Joana contou ao R7  que desde que as exposições começaram, foram aprovadas leis federais e distritais sobre o tema. É o caso da Lei do Registro Compulsório. Ela determina a notificação compulsória de qualquer caso confirmado de neoplasia maligna. A obrigatoriedade de notificação compulsória independe da origem do paciente ou do sistema de saúde a que esteja vinculado. Outra lei que faz toda a diferença para as pacientes é a 13896/2019. Também conhecida com a Lei dos 30 dias, ela assegura aos pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito à realização de exames com o prazo máximo de 30 dias.  “Aqui no Distrito Federal já foram aprovadas cinco leis sobre o tema e três delas partiram de iniciativas da Associação”, comemorou.

Joana explicou que a ideia do projeto é focar os diferentes tipos de câncer de mama. "Este ano queremos fomentar a educação e a saúde das pessoas, então, na exposição, cada mulher vai falar sobre o subtipo molecular do câncer que teve, porque cada mulher passa por uma situação diferente da outra.” Para Joana, a solidariedade é transformadora. “Acolher mulheres acometidas pelo câncer de mama é uma grande oportunidade para todas as voluntárias que atuam na nossa sala no HRAN. A gente dá a mão, ampara e recebe uma imensa alegria em troca. É indescritível a sensação de ver a emoção de uma mulher que teve o seio mutilado de se olhar no espelho após ganhar uma prótese externa pós mastectomia e um sutiã adaptado para a prótese. É isso que nos move: proporcionar a felicidade de quem já sofreu tanto.  Porque juntas somos mais fortes”, ensinou Joana.

A fotógrafa do ensaio, Luciana Ferry, disse que, para ela, o importante é retratar a mulher de forma plena, independente da situação que ela atravessa. “É preciso muita sensibilidade para captar a essência da mulher. Sempre busco um ‘gancho’ para deixá-las à vontade de forma a captar a essência delas, o que elas têm de melhor. Isso para mim é um agente de mudança de quem é fotografado. Fazer com que essas mulheres —  sejam as que venceram o câncer, sejam as que estão em tratamento —, se sintam bem consigo mesmas é, para mim, uma grande alegria”, afirmou. “Minha missão é ressignificar a mulher como ela realmente é em plenitude e essência”, completou. Luciana contou que uma das mulheres fotografadas teve o diagnóstico neste ano. “Ela estava insegura. Fiz tudo para ela se sentir à vontade e, ao final da sessão, ela me  disse que foi durante o ensaio o seu primeiro sorriso desde o diagnóstico.

VEJA NA GALERIA ALGUMAS DAS MULHERES RETRATADAS

Umas das mulheres retratadas na exposição é Sônia Cristina. Ela passou pela cirurgia de retirada da mama (mastectomia) em 2015 e a reconstrução foi em 2019 no HRAN, onde conheceu a equipe da Associação Recomeçar. Sônia contou que desde de então aprendeu a se amar mais e, depois de um período tão doloroso, vieram as alegrias. "Sou grata a Deus por estar contando [com a associação] e participando desse trabalho lindo para o qual tive o privilégio de ser convidada [a participar]," afirmou. "É uma experiência maravilhosa passar para outras mulheres a conscientização de se tocarem e fazer o auto exame. Isso é muito importante. Deixo aqui meu agradecimento espercial à Joana [Jeker]. Muito obrigada pela oportunidade!" 

História da iniciativa

Joana descobriu que tinha câncer em 2007 enquanto morava na Austrália e voltou ao Brasil para ser tratada pelo SUS. Ela ficou sem o seio por dois anos até fazer a cirurgia de reconstrução em 2009 no HRAN. Ao perceber o descaso das autoridades em garantir a estrutura necessária para o tratamento de mulheres mutiladas pela doença, Joana decidiu organizar primeiro um abaixo-assinado e depois uma manifestação em frente ao hospital que acabou tendo ampla cobertura da imprensa. Nascia ali a associação.

Depois da manifestação, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica organizou um mutirão para diminuir a fila pelas cirurgias de reconstrução. Desde então, a iniciativa foi crescendo e ganhou o apoio de legisladores e de autoridades do Executivo. 

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