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Flávio Bolsonaro viajou no mesmo jato de Vorcaro usado por Moraes e Viviane Barci

Sete meses antes do voo do casal, candidato à Presidência viajou da Flórida (EUA) para Brasília, às vésperas da posse de Donald Trump

Brasília|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Flávio Bolsonaro viajou em janeiro de 2025 em um jatinho de Daniel Vorcaro, de Fort Lauderdale para Brasília, com sua família e Willer Tomaz.
  • O jatinho, um Legacy 650, foi usado por Alexandre de Moraes e Viviane Barci sete meses depois.
  • A aeronave estava ligada a uma empresa com cotas de Vorcaro, Tomaz e Laércio Cosentino, e a Prime You operava o jato por meio de táxi aéreo.
  • Willer Tomaz foi investigado por desvios no INSS e tinha ligações com Flávio, como um safári na África do Sul e um apartamento em São Paulo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Flávio Bolsonaro voou em aeronave executiva que tinha Daniel Vorcaro entre donos das cotas para uso Montagem: Carlos Moura/Agência Senado – Arquivo; Banco Master/Reprodução – Arquivo

O candidato à presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voou em um um jatinho que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, em uma viagem da Flórida (EUA) para Brasília, em janeiro de 2025. A aeronave foi a mesma usada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e pela esposa, Viviane Barci, sete meses depois.

Na viagem do senador, também estava a esposa dele, a cirurgiã-dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro; as duas filhas do casal; o advogado e empresário Willer Tomaz, absolvido no escândalo da JBS, mas agora investigado no dos desvios no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

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Um terço das cotas para uso da aeronave pertencia à empresa Prime You, que tinha Vorcaro entre os sócios e que comprou essa parcela da participação no fim de 2024; outro terço pertencia a Willer Tomaz, dono da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira (Portugal); e a terceira fatia era de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS.

No entanto, a proprietária formal era a sociedade Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.. As informações detalhadas foram divulgadas pela revista Piauí, nesta quarta-feira (23), e pelo jornal O Globo, na última semana.

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A Prime You operava o jato por meio de uma empresa de táxi aéreo e outros serviços. Vorcaro permaneceu como sócio dela de 2021 a setembro de 2025, dois meses antes de ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes cometidas por meio das atividades do Banco Master.

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Ainda segundo a Piauí, um relatório da PF (Polícia Federal) detalha que cada uma das cotas valia US$ 5,5 milhões em maio de 2025 e que a Prime You negociava a transferência da participação dela para a advogada Viviane Barci de Moraes, mas isso não ocorreu.

A viagem de Flávio com a família e Tomaz Willer ocorreu do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, para o de Brasília, em 19 de janeiro de 2025, véspera da posse de Donald Trump no segundo mandato à frente da Casa Branca.

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As informações sobre esse voo foram divulgadas pelo jornalista Patrik Camporez. Depois da publicação, os repórteres Breno Pires, Ana Clara Costa e Allan de Abreu identificaram se tratar de um Legacy 650 com prefixo PP-NLR.

Flávio e Willer

A Fraction 024 mantinha movimentações financeiras diretas com o Master e chegou a transferir R$ 7,6 milhões ao banco, em 36 operações entre os meses de setembro de 2024 e de 2025, e R$ 6,5 milhões à Prime Aviation no mesmo período.

A revista Piauí também detalhou que, “além de Vorcaro, a Prime You tinha como sócio Maurício Quadrado, dono da Planner, uma grande corretora paulistana que também é alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero”.

“Coincidentemente, através do fundo Sharks FIP Multiestratégia, administrado pela Trustee, Quadrado era um dos cotistas de um outro bem do qual Tomaz tinha cotas: uma mansão em Angra dos Reis na qual Flávio comemorou o aniversário da filha em fevereiro de 2026″, afirma a publicação.

Já segundo o colunista Lauro Jardim, um dia antes da viagem no jatinho, Flávio e Willer passaram pelo Hard Rock Hotel & Casino, onde o advogado teria retirado US$ 236 mil em dinheiro vivo.

Os dois chegaram a fazer um safári juntos na África do Sul, dois meses depois e, em agosto de 2025, o senador usou durante a campanha um apartamento em São Paulo que teria sido comprado do pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, pela empresa de Tomaz e com desconto de R$ 2 milhões por deságio.

Posicionamentos

Por meio de nota enviada à Piauí, Willer Tomaz confirmou integrar a sociedade proprietária do avião, afirmou que a Prime You era responsável pela gestão da aeronave e disse que denunciou o contrato ao descobrir, em abril de 2026, que Vorcaro teria adquirido uma das três cotas do jatinho.

“Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio — de qualquer natureza”, completou a assessoria do advogado. O texto destacou que Willer costumava oferecer “carona” a amigos quando havia assentos disponíveis no avião, “sem qualquer custo, contrapartida ou benefício de parte a parte”. No entanto, não respondeu se Flávio e a família eram convidados dele no voo em questão.

Apesar de não responder aos questionamentos da reportagem, o senador fez uma publicação nas mídias sociais, nesta quinta-feira (24), e não negou a viagem. Além disso, ironizou: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”.

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