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Governo processa Discord em R$ 500 milhões após casos de violência: ‘Cracolândias digitais’

Em nota, plataforma classificou ação como ‘desproporcional’ e disse acreditar haver um ‘caminho melhor’ para chegar a uma solução

Brasília|Débora Sobreira*, do R7, e Marina Agostine, da RECORD, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo federal anunciou medidas punitivas contra o Discord devido a episódios de violência na plataforma.
  • Uma Ação Civil Pública no valor de R$ 500 milhões foi adotada contra o Discord.
  • A AGU identificou que o Discord falha em proteger mulheres, crianças, adolescentes e animais.
  • A ação conjunta entre AGU e MJSP resultou em uma condenação por dano moral coletivo, com multas de R$ 50 milhões por infração.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Entre as ações anunciadas está a adoção de uma Ação Civil Pública no valor de R$ 500 milhões Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal anunciou, na tarde desta quarta-feira (26), uma série de novas medidas punitivas à plataforma Discord, palco de episódios de violência contra crianças, adolescentes e animais. Entre as ações anunciadas está a adoção de uma ACP (Ação Civil Pública) no valor de R$ 500 milhões.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a AGU (Advocacia-Geral da União) mapeou ações que comprovam que o Discord tem “permitido, a partir de proteção insuficiente a mulheres, crianças, adolescentes e animais, práticas de uma série de violações legais” à Justiça brasileira.

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“O Estado brasileiro assumiu o compromisso de dar fim aos safaris digitais, em que animais são expostos a toda prática de violência. Nós não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais sejam criadas no ambiente virtual brasileiro”, declarou.

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Segundo Messias, a medida mostra que o Estado brasileiro tem “tolerância zero” em relação a esse tipo de prática na internet. “Todas as empresas que queiram participar do ambiente digital brasileiro são bem vindas, mas devem cumprir integralmente a legislação brasileira”, argumentou.

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A medida, que é resultado de ação conjunta entre AGU e MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), condena a plataforma em uma ação de dano moral coletivo, estabeleceu o pagamento de R$ 50 milhões para cada infração detectada pelo poder público; são 10 no total.

A ação não interfere em outras medidas já em vigor, como a suspensão temporária das transmissões ao vivo na plataforma, determinada este mês pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados).

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Histórico de violências

Segundo a ANPD, em 22 de julho, aproximadamente 200 usuários teriam assistido à morte de uma menina de 13 anos em uma transmissão ao vivo no Discord; ela teria sido induzida à automutilação por um grupo de adolescentes com quem conversava na plataforma.

A vítima morava com a família em Naviraí, interior do Mato Grosso do Sul. Segundo a delegada responsável pela investigação, ela foi aliciada por um grupo de seis adolescentes que conheceu nas redes sociais.

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Os seis suspeitos foram identificados na primeira semana de agosto em cinco diferentes estados; um jovem de 18 anos foi preso, enquanto os outros, menores de idade, apreendidos.

TAC

Nas últimas semanas, o Discord vinha negociando a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que permitiria à empresa corrigir as irregularidades sem sofrer sanções judiciais imediatas.

Segundo a AGU, no entanto, as propostas apresentadas pela plataforma foram consideradas insuficientes e a empresa recuou de assumir formalmente os compromissos discutidos.

O que o governo exige da plataforma

  • Protocolo emergencial para detecção e interrupção em tempo real de lives, canais de voz e vídeo que veiculem automutilação, suicídio ou violência extrema, com acionamento de suporte emocional e comunicação imediata às autoridades;
  • Sistema específico de notificação de casos de sextorsão às autoridades;
  • Mecanismos de detecção e moderação de conteúdos de maus-tratos e crueldade contra animais;
  • Verificação de idade robusta, que supere a simples autodeclaração de data de nascimento, inclusive em servidores com conteúdo adulto.
  • Vinculação obrigatória de contas de menores de 16 anos a um responsável legal;
  • Restrições à criação de convites para servidores privados por contas novas ou reincidentes em violações;
  • Configuração padrão mais protetiva para contas de crianças e adolescentes;
  • Plano de ampliação de equipes de moderação e Trust and Safety com proficiência em português, proporcional à base de usuários brasileira;
  • Medidas técnicas para impedir a recriação de servidores banidos e a disseminação de gravações de episódios de violência;
  • Manutenção de sede e representante legal da empresa no Brasil, além de canal de denúncia permanente e gratuito em português.

O que diz o Discord

Em nota, o Discord classificou a ação da AGU como “desproporcional” e disse acreditar haver um “caminho melhor” para chegar a uma solução que amplie a segurança na plataforma. A empresa afirmou ainda que segue comprometida em trabalhar com as autoridades competentes no Brasil.

Confira abaixo a íntegra do posicionamento do Discord:

“A ação judicial da AGU é desproporcional e não reflete de forma precisa a abordagem do Discord em relação à segurança e ao cumprimento da legislação brasileira.

Temos mantido, de forma consistente e de boa-fé, um diálogo com a Advocacia-Geral da União e apresentamos uma proposta detalhada para reforçar a segurança no Discord por meio de mudanças técnicas e de um investimento financeiro em segurança online no Brasil.

Acreditamos que há um caminho melhor e seguimos comprometidos em trabalhar com as autoridades competentes para chegar a uma solução que amplie a segurança na plataforma e, ao mesmo tempo, permita que os brasileiros continuem utilizando o Discord.”

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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