Brasília Guedes: menos gastos com saúde podem trazer aumento a servidores

Guedes: menos gastos com saúde podem trazer aumento a servidores

Ministro da Economia disse em evento que eventual fim da crise sanitária traz a possibilidade de aumento para servidores 

  • Brasília | Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

Paulo Guedes - Ministro da Economia

Paulo Guedes - Ministro da Economia

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que a redução dos gastos com saúde decorrente da diminuição das infecções da pandemia de Covid-19 traz a possibilidade de um reajuste aos servidores públicos. O comentário veio durante um evento  da Secretaria de Política Econômica.

“Esse é o grande desafio à frente para a classe política: assumir os orçamentos públicos. Fazer em tempos de paz o que nós só conseguimos fazer em tempos de guerra contra a pandemia, que é assumir o orçamento. Olha, está aqui o dinheiro para a saúde, mas não tem dinheiro para aumento de salário neste ano. No ano seguinte, a crise foi embora, ok, agora, diminuiu o gasto com a saúde, temos a possibilidade de dar reajuste de salário", afirmou.

O ministro não chegou a citar o comentário feito pelo presidente Jair Bolsonaro feito na terça-feira (16) durante a viagem ao Oriente Médio. O presidente da República disse que caso a PEC dos Precatórios seja aprovada pelo Congresso Nacional, o governo terá espaço fiscal para conceder um reajuste aos servidores federais. O texto já passou pela Câmara dos Deputados e, agora, tramita no Senado.  Nesta quinta (18), no entanto, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) afirmou que não vê espaço dentro da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios para permitir a concessão de reajuste salarial aos servidores federais em 2022. O relator do texto no Senado e líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), também negou que essa seja uma das funções da PEC.

Não estou nem aí

No mesmo evento, Guedes disse que "não estava nem aí" para as ditaduras no Brasil e no Chile nos 1980, quando aceitou trabalhar no país andino. “Ditadura por ditadura. Era Figueiredo contra Pinochet, eu não estava nem aí”, declarou o ministro. "Eu sou um animal de politização tardia. Até hoje, eu não sei politicamente onde estou," reconheceu.

O ministro disse que aceitou dar aulas no Chile por uma questão financeira. "[Meu salário] Dava US$ 2,4 mil dólares por mês. Eu recebi uma proposta dos chilenos para ganhar US$ 10 mil por mês para ficar em tempo integral", contou. "Eu nunca vi Pinochet na vida. Eu estava dando aula e fazendo meus papers", justificou.

Declarações controversas

Ao longo da gestão no Ministério da Economia, Guedes tornou-se protagonistas em diversas situações por declarações controversas e que causaram impacto negativo para o governo federal. Em 12 de fevereiro de 2020, por exemplo, o ministro também defendeu o patamar elevado da taxa de câmbio e afirmou que, com o dólar baixo, tinha até “empregada doméstica indo pra Disneylândia”.

Em abril deste ano, disse, durante reunião do Conselho de Saúde Complementar, que o Fies, programa federal para estudantes de baixa renda financiarem mensalidades do ensino superior, deu “bolsa pra todo mundo” e ajudou até “filho do porteiro” a entrar na universidade. No mesmo encontro, Guedes disse que “o chinês inventou o vírus [da Covid-19], e a vacina dele é menos efetiva do que a americana”.

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