Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Justificativa de minuta do golpe apresentada por Bolsonaro citava Aristóteles e Iluminismo

Razões utilizadas para embasar documento tinha citação de filósofo grego; teólogo Tomás de Aquino também foi mencionado

Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Bolsonaro apresentou documento após as eleições de 2022
Bolsonaro apresentou documento após as eleições de 2022 Clauber Cleber Caetano/PR - 29.6.2022

A minuta do golpe apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após as eleições de 2022 tinha entre as justificativas um pensamento defendido por Aristóteles. O documento, que começa com críticas sobre a existência de um ativismo judicial por parte de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), termina com uma citação ao filósofo grego de que é preciso "dar a cada um o que é seu".

"'Dar a cada um o que é seu' já era uma ideia defendida por Aristóteles, como definição de justiça e princípio de direito", diz o texto. A justificativa da minuta consta em depoimentos prestados à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre um suposto plano golpista organizado pelo ex-presidente.


Além disso, o fundamento da minuta do golpe faz menção ao teólogo italiano Tomás de Aquino e ao jurista alemão Otto Bachof. "No Iluminismo, a necessidade de 'resistência às leis injustas' já era uma ideia defendida por Tomás de Aquino. Mais recentemente, após a Segunda Guerra Mundial, Otto Bachof defendeu na Alemanha a possibilidade de controle das normas constitucionais inconstitucionais, em especial ao reconhecer a existência de um direito supralegal, ou seja, um direito pressuposto natural acima da Constituição e de suas normas."

A justificativa da minuta do golpe criticava diretamente a atuação do STF. O documento dizia que "o juiz de direito (seja ele ministro do STF, ou não) nunca pode agir sem a devida e esperada conformação de suas decisões à moralidade institucional".


"Aliás, o desmedido 'ativismo judicial' e a aparente 'legalidade' (desprovidas de legitimidade; contrárias ao Princípio da Moralidade Institucional; e, assim injustas) não podem servir de pretextos para a desvirtuação da ordem constitucional pelos Tribunais Superiores."

O texto ainda questionava a legalidade de decisões tomadas pela corte e reclamava que "nestas eleições, o ministro Alexandre de Moraes nunca poderia ter presidido o TSE, uma vez que ele e Geraldo Alckmin possuem vínculos de longa data, como todos sabem".

Nesta sexta-feira (15), o ministro do STF Alexandre de Moraes retirou o sigilo dos depoimentos de militares e civis no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.