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Lira fala em incoerência e pede que Pacheco 'se digne' a resolver MPs com todo o Congresso

Presidente da Câmara dos Deputados critica ato que permitiu retomada de comissões mistas para analisar medidas provisórias

Brasília|Augusto Fernandes e Isabella Macedo, do R7, em Brasília

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Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)
Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) Jefferson Rudy/Agência Senado - 8.7.2022

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), enviou um ofício nesta sexta-feira (24) ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pedindo que ele "se digne" a convocar uma sessão do Congresso Nacional para que todos os deputados e senadores decidam como deve ser a tramitação de medidas provisórias (MPs) elaboradas pelo governo federal.

Na quinta-feira (23), Pacheco oficializou o retorno do funcionamento das comissões mistas para análise prévia das MPs, contrariando a vontade de Lira. Segundo o ato do presidente do Senado, as medidas provisórias encaminhadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) serão analisadas segundo esse rito.

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Tradicionalmente, as MPs sempre foram analisadas primeiro por uma comissão mista, composta por 12 deputados e 12 senadores, que discutiam e aprovavam os projetos. Só depois disso a MP era enviada ao plenário. Esse rito foi interrompido durante a pandemia da Covid-19, como uma medida excepcional, quando as MPs passaram a ir direto ao plenário.

Apesar do retorno das comissões mistas, o ato de Pacheco definiu que as medidas provisórias elaboradas pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que ainda não foram votadas serão analisadas sob as regras do rito excepcional adotado em razão da pandemia.

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Lira contestou a decisão de Pacheco e afirmou que o senador agiu sem ouvir a Câmara. "Do ponto de vista constitucional, esse procedimento tolheu o direito regimental de deputados e deputadas federais de contraditar e recorrer da decisão de Vossa Excelência", afirmou.

"Causa espécie a deliberação em questão de ordem relativa à matéria de competência do Congresso Nacional em sessão do Senado Federal, sem observância do necessário contraditório e do diálogo bicameral, que é ínsito à atuação legislativa democrática na ordem constitucional de 1988", acrescentou Lira.

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Além disso, o presidente da Câmara disse não fazer sentido que o Congresso adote regras distintas para analisar as MPs de Lula e de Bolsonaro, visto que a situação de emergência em saúde pública de importância nacional provocada pela pandemia, que motivou as alterações na tramitação das medidas provisórias, foi encerrada em maio de 2022.

"Com efeito, se o fundamento do ato de Vossa Excelência é [o] encerramento da ESPIN [Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional] e da calamidade pública, não se mostra coerente aplicar a medidas provisórias posteriores a 22 de maio regimes diversos. É dizer: a transição de governos não é um marco temporal coerente com os fundamentos da decisão", afirmou Lira.

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