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Lula chama embaixador brasileiro em Buenos Aires para reunião

Encontro teve o objetivo de repassar os principais temas do relacionamento entre Brasil e Argentina

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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Embaixador Julio Bitelli é chamado para reunião Jefferson Rudy/Agência Senado - 11.05.2023

O embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, viajou a Brasília para reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro com o diplomata ocorre dias depois da passagem do presidente argentino, Javier Milei, por Santa Catarina para a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), onde esteve com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O Itamaraty emitiu nota oficial confirmando que o embaixador foi chamado a Brasília “para consultas”. “O deslocamento do embaixador à capital federal tem o propósito de repassar, de maneira aprofundada e pessoal, os principais temas do relacionamento entre Brasil e Argentina com interlocutores no governo brasileiro”, disse o Ministério das Relações Exteriores. “O embaixador Júlio Bitelli deverá reassumir suas funções em Buenos Aires na próxima semana.”

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Bitelli participou nesta segunda (15), de um almoço promovido por Lula, no Palácio do Itamaraty, para o presidente da Itália, Sergio Mattarella, e deve retornar a Buenos Aires nos próximos dias. Nas conversas com o alto escalão do governo brasileiro, Bitelli será orientado a tentar manter o pragmatismo, ou seja, garantir que as rusgas na relação entre os dois países não tenham impacto nas trocas comerciais.

Na semana passada, Milei deixou de ir à cúpula do Mercosul para participar da CPAC Brasil. Durante seu discurso, ele afirmou que Bolsonaro sofre perseguição judicial, mas evitou fazer um ataque direto ao presidente brasileiro.

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Na cúpula do Mercosul, Milei foi cobrado por aliados e rivais regionais. Lula disse que “quem perdeu foi quem não veio” e classificou a falta como “bobagem imensa” do presidente argentino. Enquanto isso, em Santa Catarina, Milei ignorou o petista.

Diplomacia

Ao fim do encontro da CPAC Brasil, o argentino não fez nenhuma menção direta a Lula, apenas repetiu seu conhecido discurso contra o “socialismo”, afirmou que existe violação da liberdade de expressão no Brasil e disse que Bolsonaro sofre opressão judicial. Ele atacou também governos de esquerda aliados do petista e a organização Foro de São Paulo.

O Itamaraty chegou a mandar sinais de que poderia retaliar a Argentina diplomaticamente, caso Milei voltasse a ofender Lula. A ordem, no entanto, é ser o mais pragmático possível para não piorar ainda mais a relação bilateral com um importante parceiro comercial do Brasil.

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