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Lula critica tentativa de golpe na Bolívia e ‘nacionalismo arcaico e isolacionista’ na América Latina

Líder brasileiro falou também de temas como economia e meio ambiente; bloco econômico formalizou entrada da Bolívia

Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

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O presidente Lula e o anfitrião Santiago Peña (Paraguai) Ricardo Stuckert/PR - 08.07.2024

Durante a cúpula do Mercosul nesta segunda-feira (8) em Assunção, capital do Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a tentativa de golpe na Bolívia e alfinetou o argentino Javier Milei, ausente no evento, ao condenar “experiências ultraliberais” na América Latina. O chefe do Executivo brasileiro falou também de temas como meio ambiente, inserção econômica e acordos comerciais.

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“Há menos de 15 dias, um membro de nosso bloco sofreu uma tentativa de golpe. A democracia prevaleceu graças à firmeza do governo boliviano, à mobilização de seu povo e do rechaço da comunidade internacional. O Mercosul permaneceu, mais uma vez, unido em defesa da plena vigência do Estado de Direito, consagrado pelo Protocolo de Ushuaia”, disse Lula.

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“A reação unânime ao 26 de junho na Bolívia e ao 8 de Janeiro no Brasil demonstra que não há atalhos na democracia em nossa região, mas é preciso permanecer vigilante. Falsos democratas tentam solapar as instituições e colocá-las a serviço de interesses reacionários”, completou.

A Bolívia passou por uma tentativa de golpe de Estado no fim de junho. A medida teria sido liderada pelo ex-comandante do Exército, general Juan José Zúñiga, que foi preso horas após as tropas acompanhadas de veículos blindados invadirem o Palácio Presidencial, na capital La Paz. Na ocasião, Lula e o governo brasileiro se manifestaram contra a medida.

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Em seu discurso, Lula também criticou as experiências neoliberais na América Latina, mas não citou o Javier Milei. “Democracia e desenvolvimento andam lado a lado. Os bons economistas sabem que o livre mercado não é uma panaceia para a humanidade. No mundo globalizado, não faz sentido recorrer ao nacionalismo arcaico e isolacionista. Tão pouco há justificativa para resgatar as experiências ultraliberais que apenas agravaram as desigualdades em nossa região.”

Na reunião, os países do Mercosul formalizaram a entrada da Bolívia no bloco econômico. Agora, o país presidido por Luis Arce terá um prazo de quatro anos para concluir o processo de adesão e adotar as normas. Com a medida, o Mercosul passa a ter 300 milhões de habitantes, uma extensão territorial de 13,9 milhões de km² e um PIB (Produto Interno Bruto) total de US$ 3,5 trilhões.

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Veja, abaixo, os principais pontos do discurso de Lula.

Inserção econômica

O presidente brasileiro comentou a divisão no continente e as inserções econômicas. “Voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Num contexto de acirramento da competição geoestratégica, a questão que se impõe é se nossos países querem se integrar ao mundo unidos ou separados. Não vejo contradição entre participar da economia global e cooperar entre vizinhos. Minha aposta no Mercosul como plataforma de inserção internacional e de desenvolvimento do Brasil permanece inabalável.”

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Inteligência artificial

“A governança regional de dados no Mercosul é vital para nossa soberania futura e para o desenvolvimento da Inteligência Artificial. É preciso habilitar nossa região a desenvolver capacidade própria de coletar, processar e armazenar dados, insumo fundamental para avançar no desenvolvimento tecnológico e na digitalização da indústria regional”, destacou o presidente brasileiro na cúpula.

Acordo com União Europeia

Lula afirmou, também, que o Mercosul não concluiu o acordo com a União Europeia porque os “europeus ainda não conseguiram resolver suas próprias contradições internas”. Na sequência, citou eventual acordo com a China. “Nos orgulhamos de ser o primeiro país do bloco a ratificar o Acordo de Livre Comércio com a Palestina, mas não posso deixar de lamentar que isso ocorra no contexto em que o povo palestino sofre com as consequências de uma guerra totalmente irracional. Espero que neste ano possamos aprofundar o diálogo sobre um acordo abrangente com a China”, disse.

Meio ambiente

O petista argumentou ser a favor de uma gestão de risco de desastres na América do Sul. “Além de agradecer a solidariedade de todos os sócios do Mercosul que ofereceram prontamente os mais diversos tipos de ajuda humanitária, quero fazer um chamado por maior engajamento e ambição climática. É muito oportuna a adesão do Mercosul, nesta cúpula, ao Memorando de Entendimento sobre cooperação em gestão integral de risco de desastres”, afirmou.

Guerras e eleições

Na cúpula, o presidente abordou as guerras atuais. “Essa é a razão do nosso engajamento em prol de uma solução para o conflito entre Rússia e Ucrânia que efetivamente envolva as duas partes. O apoio do Brasil à África do Sul em sua ação na Corte Internacional de Justiça visa por fim à matança indiscriminada de mulheres e crianças em Gaza”, destacou.

Depois, comemorou os resultados eleitorais na França e no Reino Unido. “Encerro com o registro da vitória das forças progressistas nas recentes eleições no Reino Unido e na França. Ambas são fundamentais para a defesa da democracia e da justiça social contra as ameaças do extremismo.”

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