Lula critica classificação de facções como terroristas: ‘Não precisamos de porta-aviões’
Presidente disse que Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas e defendeu cooperação contra o crime
Brasília|Do R7
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (22) a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Em discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Lula afirmou que o Brasil não precisa de uma intervenção estrangeira para combater o crime organizado, mas de cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece as facções.
“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”, afirmou.
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Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar as organizações criminosas e citou os impactos da violência sobre a população.
“Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão cansadas da violência”, disse.
Resposta brasileira aos EUA
O governo dos Estados Unidos classificou, em maio deste ano, o PCC e o CV como “Specially Designated Global Terrorists”.
Na mesma ocasião, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que os dois grupos seriam incluídos, a partir de 5 de junho, na lista de organizações terroristas estrangeiras.
Segundo o presidente, a resposta brasileira para a decisão deve incluir ações de combate à movimentação financeira das facções no exterior. Lula afirmou ter entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma proposta de cooperação sobre o tema.
“Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior”, declarou.
Integração entre estados
Lula também defendeu maior coordenação entre os governos estaduais no combate ao crime organizado. Segundo ele, as organizações criminosas se aproveitaram da atuação isolada dos estados na segurança pública.
“Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. O crime se aproveitou da falta de coordenação, mas isso está mudando”, afirmou.
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