Brasília Mãe é condenada por matar filho com uso indevido de insulina no DF

Mãe é condenada por matar filho com uso indevido de insulina no DF

Ela queria simular doença para obter dinheiro, aponta denúncia; pena é de 32 anos, em regime fechado; pai foi inocentado

  • Brasília | Lucas Nanini, do R7, em Brasília

Prédio do Tribunal de Justiça do DF

Prédio do Tribunal de Justiça do DF

ACS/TJDFT

O Tribunal do Júri de Brasília condenou Luana Afonso do Nascimento a 32 anos e oito meses de prisão por aplicar insulina, sem prescrição médica, em três de seus filhos, levando um deles à morte. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a mãe administrava o hormônio com o intuito de simular uma doença congênita e mobilizar campanhas para obter dinheiro.

O pai das crianças, Ronildo Eugênio Dias, também foi réu no caso, mas acabou absolvido e foi posto em liberdade. O caso foi descoberto em junho de 2017, quando um dos filhos do casal foi internado no HUB (Hospital Universitário de Brasília) após uma convulsão. O julgamento teve fim na última quarta-feira (6).

Luana foi condenada por homicídio qualificado e por duas tentativas de homicídio qualificado. Pela sentença, ela deverá cumprir a pena em regime inicial fechado, não podendo recorrer em liberdade.

Outro filho do casal também morreu, em um intervalo de dois meses, mas as investigações demonstraram que não houve relação com a prática da mãe. Na denúncia, o MP afirmou que os crimes foram praticados por motivo torpe, “consistente em ganância” (pelo objetivo de levantar recursos) e mediante emprego de meio cruel (pelo sofrimento às vítimas).

O caso

Exames realizados pelo HUB mostraram que um dos filhos do casal morreu pela aplicação de insulina. Câmaras de segurança do hospital mostraram a mãe com uma das crianças no colo, aguardando atendimento. Segundo a Polícia Civil, as imagens mostram que ela fez movimentos sugerindo a injeção do hormônio na criança.

“Quando a mãe é confrontada com aquele vídeo, ela confessa a aplicação de insulina no bebê, não explica o porquê e nos entrega a ampola de insulina que ela trazia no seu corpo e utilizava ali no hospital”, afirmou a delegada Ana Cristina Melo Santiago, que esteve à frente do caso.

À época, a reportagem da Record TV conseguiu conversar com o pai das crianças. Ele afirmou que não tinha participação no caso e que não houve administração do hormônio nos filhos que morreram. Segundo Ronildo, a mulher havia conseguindo um frasco de insulina com a irmã dela e não tinha o costume de aplicar a substância nos filhos em casa, tendo isso ocorrido apenas no hospital.

“Ela falou que foi uma depressão que ela teve, ela não vinha bem e não estava comendo direito, não estava dormindo. Ela chorava pra mim, falava que tinha muito medo de perder o neném”, declarou.

Ronildo reconheceu que Luana errou ao aplicar a insulina no bebê. “Nem eu, nem ela somos bandidos. Nós somos pessoas de boa-fé. Ela teve o erro dela? Teve, e ela vai pagar. Mas eu estou sendo culpado injustamente”, concluiu.

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