Meta afirma que não interfere nas eleições brasileiras e defende regras iguais para candidatos
Empresa atribui episódios com IA, anúncios e métricas a problemas técnicos e apresenta defesa ao TSE em resposta à campanha de Lula
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, manifestou-se após usuários relatarem que a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada ao aplicativo, recusava-se a criar materiais de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas atendia a solicitações semelhantes relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em nota, a empresa negou interferência nas eleições brasileiras de 2026 e afirmou que os episódios relatados decorreram de falhas técnicas e de uma lacuna nos mecanismos de proteção da inteligência artificial. Segundo a Meta, os problemas foram corrigidos e não tiveram motivação política.
Leia mais
A manifestação também aborda falhas na contabilização de visualizações de vídeos, dificuldades na criação de anúncios e medidas adotadas para cumprir as regras eleitorais. A empresa informou ainda que apresentou defesa ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em resposta à reclamação da campanha de Lula.
Falha no sistema
Segundo a empresa, o episódio envolvendo a Meta AI, em 14 de outubro, ocorreu devido a uma falha específica nos mecanismos de proteção da ferramenta.
A Meta afirma que o sistema bloqueava solicitações que mencionavam explicitamente candidatos, incluindo “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro”. No entanto, a ferramenta nem sempre identificava os candidatos quando os pedidos combinavam nomes próprios comuns com números eleitorais.
Com isso, algumas solicitações que mencionavam Flávio e seu número eleitoral conseguiam gerar imagens de cartazes de campanha. A mesma brecha, segundo a empresa, também permitia solicitações que utilizavam o nome Luiz associado ao número de Lula.
A Meta declarou que corrigiu a falha no mesmo dia. A empresa argumentou que bloquear isoladamente nomes como “Flávio” ou “Luiz” poderia impedir também a realização de pedidos cotidianos sem relação com política.
A companhia afirmou ainda que restringiu temporariamente a Meta AI no Brasil para impedir que a ferramenta recomendasse candidatos ou gerasse imagens deles, como parte das medidas de cumprimento das regras eleitorais. Segundo a empresa, uma pesquisa independente publicada pelo InternetLab em 1º de outubro apontou que a ferramenta raramente ranqueava ou indicava candidaturas.
Anúncios de Lula
A Meta também contestou alegações de que teria impedido a campanha de Lula de veicular anúncios por razões políticas.
De acordo com a empresa, em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha do presidente ficou desativada por pouco mais de uma hora devido a uma classificação equivocada durante uma análise antifraude. Um anúncio foi identificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo.
A companhia relacionou o episódio a um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a AGU (Advocacia-Geral da União), voltado ao combate a golpes envolvendo programas federais. Segundo a Meta, o próprio acordo reconhecia que mecanismos mais rigorosos de detecção poderiam afetar involuntariamente atividades publicitárias legítimas.
A empresa ressaltou que a página oficial da campanha de Lula no Facebook e a conta no Instagram não foram bloqueadas e que a desativação da conta de anúncios foi corrigida rapidamente.
Erros de métricas
A Meta também apresentou explicações para outros dois episódios mencionados nas reclamações.
Em 7 de outubro, uma falha global afetou os sistemas de contabilização de reproduções e reprises de vídeos do Reels. Segundo a Meta, durante cerca de cinco horas, as métricas ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora os conteúdos continuassem sendo distribuídos normalmente.
O problema atingiu criadores em mais de cem países, de acordo com a companhia. A empresa acrescentou que a campanha de Flávio Bolsonaro também a procurou naquele dia para relatar dificuldades semelhantes. A Meta afirmou ainda que o desempenho da conta oficial de Lula no Instagram ficou acima de seu patamar recente, apesar do problema nas métricas.
Em outro episódio, em 9 de outubro, uma atualização de código provocou uma falha global no Gerenciador de Anúncios, impedindo temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram.
A Meta informou que a falha atingiu milhares de anunciantes em diferentes países e foi resolvida após a reversão da atualização, nas primeiras horas de 10 de outubro. Segundo a empresa, a criação de anúncios por meio de uploads diretos no Gerenciador de Anúncios continuou disponível, e as campanhas que já estavam em veiculação não foram afetadas.
Resposta à Justiça
Na manifestação, a empresa rebateu acusações de favorecimento político e afirmou que parte das medidas adotadas em relação a conteúdos e contas ligados à campanha de Lula decorreu do cumprimento de decisões judiciais e de exigências da legislação eleitoral.
Segundo a companhia, cerca de 70% das medidas envolvendo contas de Lula em suas plataformas, registradas na Justiça Eleitoral, decorreram do cumprimento de ordens judiciais válidas. A companhia citou ainda a aplicação de regras sobre conteúdo gerado por inteligência artificial durante o período de silêncio eleitoral e a exclusão de contas de candidatos das recomendações.
A Meta afirmou ter apresentado ao TSE uma defesa acompanhada de dados técnicos. Ao citar uma decisão recente, a Meta destacou um trecho segundo o qual, naquela fase do processo, não havia afirmação de que a plataforma tivesse manipulado a distribuição de conteúdos em benefício ou prejuízo de candidaturas.
A companhia também mencionou que o relatório apresentado pela própria campanha de Lula não apontaria evidências suficientes de favorecimento partidário deliberado.
Por fim, a Meta negou ter suprimido conteúdos para prejudicar candidatos ou concedido tratamento preferencial a qualquer grupo político. A empresa ressaltou que continuará se defendendo no processo e que seguirá aplicando suas regras e cumprindo a legislação eleitoral brasileira.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp















