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‘Minha Primeira Arma’: autor diz que autodefesa virou ‘privilégio da elite’ e critica governo

Proposta do deputado Marcos Pollon facilita acesso à primeira arma para pessoas de baixa renda e moradores de áreas violentas

Brasília|Débora Sobreira* e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A proposta do deputado Marcos Pollon visa facilitar o acesso à primeira arma de fogo para pessoas de baixa renda e moradores de áreas violentas.
  • Pollon critica o governo atual, afirmando que a política de desarmamento favorece organizações criminosas e torna a autodefesa um “privilégio da elite”.
  • A proposta está avançando na Câmara dos Deputados, mas pode ser vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
  • O relator do projeto alterou o texto original, que previa isenções fiscais, por considerá-lo inconstitucional, agora propondo uma nova política nacional de acesso à arma.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Projeto prioriza acesso à primeira arma por vítimas de violência doméstica Joédson Alves/Agência Brasil - Arquivo

A Câmara dos Deputados avançou neste mês com a discussão de um projeto de lei que facilita a obtenção da primeira arma de fogo por cidadãos brasileiros. Em entrevista ao R7, o autor da proposta, deputado Marcos Pollon (PL-MS), disse que a política terá um impacto significativo, mas ele teme que, caso o Congresso aprove a matéria, o presidente Luiz Inácio da Lula Silva (PT) vete a iniciativa.

Pollon argumenta que o projeto vai fortalecer a legítima defesa e frear o mercado ilegal de armas. “Eu imagino que a política de democratização da legítima defesa terá um impacto significativo, permitindo que a população mais vulnerável tenha acesso a meios para defender suas vidas, suas casas e seus patrimônios”, disse o parlamentar.


Inicialmente, Pollon propôs a criação do programa “Minha Primeira Arma”, mas o nome foi substituído pelo relator do texto, Luciano Zucco (PL-RS), que apontou vícios de inconstitucionalidade na proposta (leia mais abaixo).

A matéria foi aprovada na Comissão de Segurança Pública e ainda será analisada por outros dois colegiados da Câmara. O texto tramita em caráter conclusivo na Casa, ou seja, sem necessidade de ir a plenário. Se também for aprovada nas demais comissões, a proposta segue para o Senado.


Leia mais

Pollon opina que o governo pode se colocar contra o projeto. Para ele, a política de desarmamento civil do Executivo, em vez de promover a segurança pública, favorece organizações criminosas e cria um cenário em que os cidadãos ficam desprotegidos.

O deputado considera a atual carga tributária sobre armas “abusiva”, tornando a autodefesa um “privilégio da elite econômica”.


“O atual governo parece não ter interesse em garantir que a população, especialmente a mais carente, tenha os meios para se proteger”, diz.

O que diz a proposta

O texto inicial do projeto previa medidas como isenção fiscal, estabelecimento de linhas de crédito em bancos públicos e oferecimento de subsídio integral ou parcial na compra da primeira arma.


No entanto, o relator do projeto, deputado Luciano Zucco, remodelou o texto por considerá-lo inconstitucional. Ele destacou que o Congresso não pode conceder isenções fiscais nem criar despesas obrigatórias sem previsão orçamentária.

A nova versão do projeto prevê a criação da Política Nacional de Acesso à Primeira Arma de Fogo, política pública com incentivo legal e responsável – medida que só pode valer caso o Executivo regulamente tais pontos.

Só terão direito a essa política os cidadãos que preencherem os seguintes requisitos:

  • Ser brasileiro nato ou naturalizado;
  • Ter a idade mínima exigida pela Lei para possuir armas de fogo (25 anos);
  • Nunca ter registrado uma arma de fogo nos sistemas SIGMA (Sistema de Gerenciamento Militar de Armas) ou SINARM (Sistema Nacional de Armas);
  • Estar em dia com a Receita Federal;
  • Possuir autorização emitida pela Polícia Federal ou pelo Exército Brasileiro para obter a arma.

Além disso, o texto também prevê uma ordem de prioridade para determinados perfis:

  • Vítimas de violência doméstica com medida protetiva em vigor;
  • Vítimas de atentado contra a vida ou integridade física;
  • Vítimas de crimes contra o patrimônio;
  • Moradores de zonas rurais e áreas com comprovada vulnerabilidade à violência;
  • Cidadãos com renda familiar mensal de até cinco salários mínimos (ou R$ 8.105)

“O estabelecimento de uma política nacional, por lei, representa um conjunto amplo diretrizes gerais, objetivos e propostas a longo prazo que são mais próprias para a iniciativa parlamentar, de modo a estabelecer um ambiente macro para orientar ações de forma contínua e integrada”, destacou Zucco ao alterar a proposta.

Segundo Pollon, a aprovação do projeto não vai fazer com que as armas cheguem mais facilmente aos bandidos. “É fundamental esclarecer à população que a arma do cidadão cumpridor da lei não abastece o crime, como querem fazer crer os opositores”, comentou.

*Sob supervisão de Augusto Fernandes.

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