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Moraes anula sindicância do CFM que investigaria atendimento a Bolsonaro após queda

Presidente do Conselho Federal de Medicina deve se manifestar em até 10 dias para explicar medida

Brasília|Joice Gonçalves, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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Moraes: 'A ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à PF é flagrante' Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

O ministro do Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou a abertura de sindicância determinada pelo Conselho Federal de Medicina para apurar o atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro após a queda sofrida na madrugada de terça-feira (6).

Na decisão, Moraes afirmou que a medida foi adotada com “total ignorância dos fatos” e determinou que o presidente do CFM preste esclarecimentos em até dez dias.


“A ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos”, diz trecho do documento.

O ministro determinou ainda que o diretor do hospital em que Bolsonaro fez exames encaminhe ao STF todos exames médicos e laudos referentes aos procedimentos realizados no prazo de 24h.


A Polícia Federal não comentou o assunto.

Relembre o caso

O CFM (Conselho Federal de Medicina) determinou a abertura de uma sindicância nesta quarta-feira (7) para apurar a assistência médica prestada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi comunicada em nota pública divulgada após o recebimento de denúncias protocoladas na autarquia e de relatos veiculados pela imprensa sobre a condição de saúde do político.


Na nota, o CFM aponta que os relatos de crises agudas, intercorrências clínicas e histórico de procedimentos de alta complexidade atribuídos ao ex-presidente exigem “protocolo de monitoramento contínuo e imediato”. O órgão destaca ainda que, em situações como esta, deve ser assegurada assistência médica adequada, com atuação de múltiplas especialidades, inclusive em casos de urgência e emergência.

Trecho da nota do CFM sobre as circunstâncias do atendimento a Bolsonaro Reprodução/CFM - 07.01.2025

O conselho também reforça o princípio da autonomia profissional. “A autonomia do médico assistente é soberana na definição da conduta terapêutica, não podendo sofrer qualquer tipo de interferência externa”, afirma o comunicado, ao sustentar que o ato médico possui presunção de verdade e respaldo ético e legal.


Saúde de Bolsonaro

A defesa de Jair Bolsonaro já solicitou por duas vezes a prisão domiciliar devido ao quadro de saúde do ex-presidente. Os pedidos foram negados. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, não há requisitos legais para a concessão da prisão domiciliar humanitária.

O ministro ressaltou que, diferentemente do que alegou a defesa, os documentos médicos indicam melhora no quadro clínico de Bolsonaro após a realização de cirurgias eletivas, sem agravamento do estado de saúde.

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