Brasília Morre em Brasília, aos 72 anos, o fotógrafo Orlando Brito

Morre em Brasília, aos 72 anos, o fotógrafo Orlando Brito

Um dos profissionais mais premiados do fotojornalismo, ele estava internado há um mês, após passar por cirurgia no intestino

  • Brasília | Lucas Nanini, do R7, em Brasília

O fotógrafo Orlando Brito, que morreu nesta sexta-feira (11) em Brasília

O fotógrafo Orlando Brito, que morreu nesta sexta-feira (11) em Brasília

Orlando Brito/Acervo pessoal

Morreu na madrugada desta sexta-feira (11), aos 72 anos, o fotógrafo Orlando Brito, de falência de múltiplos órgãos. Ele estava internado no HRT (Hospital Regional de Taguatinga), no Distrito Federal, onde deu entrada para fazer uma cirurgia no intestino, pouco mais de um mês atrás.

Um dos mais premiados fotógrafos brasileiros, Brito nasceu em Janaúba, em Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1950. Ele se mudou com a família para Brasília no início dos anos 1960. Em 1965 começou a carreira como laboratorista na sucursal brasiliense do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro. Dois anos depois, tornou-se fotógrafo do periódico.

Entre 1969 e 1981 trabalhou no jornal O Globo. Por 16 anos foi editor de fotografia da revista Veja, em São Paulo. Também foi chefe do escritório da revista Caras em Brasília e atuou no Jornal do Brasil.

Brito se notabilizou por registrar imagens do poder, em especial de presidentes da República e políticos com atividade na capital federal. "Na época da ditadura você podia fotografar tudo, mas não podia publicar nada. Hoje você pode publicar tudo, mas não consegue fotografar nada", disse Brito recentemente. Ele também atuou como repórter fotográfico de economia, em eventos como a visita do papa João Paulo 2º ao Brasil, Copa do Mundo e Olimpíadas, tendo visitado mais de 60 países.

O fotógrafo Orlando Brito

O fotógrafo Orlando Brito

Orlando Brito/Acervo pessoal

Em maio de 2020, Brito foi convidado a almoçar com o presidente Jair Bolsonaro (PL) depois de ter sido empurrado durante um protesto em Brasília. Na ocasião, Brito teve os óculos jogados no chão. O profissional teria aconselhado o presidente a ter uma melhor relação com os jornalistas.

Brito também foi o responsável pela foto oficial do presidente Michel Temer quando ele substituiu Dilma Rousseff à frente do Palácio do Planalto, em 2016. O registro aconteceu no Palácio do Jaburu, em Brasília.

Em 2018, a TV Senado publicou um vídeo em que Orlando Brito mostra o Congresso Nacional vazio em 1977. A publicação reúne imagens feitas pelo fotógrafo e declarações dele sobre o fato. "Quando eu vi o plenário fechado, em silêncio, sem os microfones, e eu estava aqui diariamente, eu via os mais acalorados debates, me deu uma impressão terrível, aquela coisa sombria", afirma Brito no vídeo.

O fotógrafo tinha agência de notícias própria, a ObritoNews, também escrevia livros (seis obras publicadas), dava aulas a alunos de comunicação e ministrava palestras especialmente para empresas.

Recentemente, sua filha disponibilizou parte do acervo para venda, a fim de levantar recursos para o tratamento do pai. Brito recebeu importantes prêmios de fotografia e jornalismo, entre eles o Press Photo, do Museu Van Gogh, de Amsterdã, na Holanda. Foram 11 edições ganhas do Prêmio Abril de Fotografia. Também recebeu condecoração da Fundação Vitae, de São Paulo.

Na época da ditadura você podia fotografar tudo, mas não podia publicar nada. Hoje você pode publicar tudo, mas não consegue fotografar nada

Orlando Brito, fotógrafo

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