Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília
‌

Orçamento de 2025 terá execução provisória após adiamento de votação

Análise do texto no Congresso, inicialmente prevista para dezembro, foi impactada por atrasos na tramitação de outras pautas

Brasília|Victoria Lacerda, do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Orçamento de 2025 terá execução provisória após adiamento da votação pelo Congresso Nacional
Orçamento de 2025 Bruno Spada/Câmara dos Deputados - Arquivo

O Congresso Nacional adiou para 2025 a conclusão da votação do projeto da LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025 (PLN 26/2024). A decisão foi anunciada após a CMO (Comissão Mista de Orçamento) não ter recebido o relatório final do senador Angelo Coronel (PSD-BA). Sem a aprovação da LOA até 31 de dezembro, o governo terá de operar em regime de execução provisória. Essa regra, prevista na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), autoriza o Poder Executivo a realizar apenas despesas essenciais ou obrigatórias, limitadas ao montante previsto no projeto original enviado ao Congresso.

LEIA TAMBÉM

A análise do texto do Orçamento de 2025, inicialmente prevista para dezembro, foi impactada por atrasos na tramitação de outras pautas, como o pacote de corte de gastos do governo federal e a aprovação tardia da LDO de 2025, que só foi votada em 18 de dezembro.

‌

Entre as despesas do Orçamento, 71 são classificadas como obrigatórias, entre elas:

  • Alimentação escolar;
  • Piso de atenção primária à saúde;
  • Compra de medicamentos para tratamento de Aids e outras DSTs;
  • Benefícios do Regime Geral de Previdência Social;
  • Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb);
  • Fundo de Financiamento Estudantil (Fies);
  • Fundo Partidário;
  • Repasses à Justiça Eleitoral para eleições e biometria.

A execução provisória do Orçamento também inclui despesas financeiras, como:

‌
  • Pagamento de juros da dívida pública;
  • Contribuição patronal para a seguridade social de servidores;
  • Financiamento de programas do BNDES;
  • Repasses aos fundos constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Despesas emergenciais em áreas como Defesa Civil, acolhimento de migrantes, recuperação de estradas e operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) também estão autorizadas dentro da execução provisória.

Impacto do atraso

O atraso na votação da LOA significa que o governo poderá executar apenas um doze avos do valor anual previsto no projeto para despesas de capital e outras correntes inadiáveis, por mês de atraso na aprovação do orçamento. Isso inclui a continuidade de projetos de obras e compras de equipamentos que, se interrompidos, possam causar prejuízos ou aumento de custos.

‌

Em nota oficial, o senador Angelo Coronel explicou que o adiamento da votação da LOA se deve à complexidade das discussões sobre o pacote fiscal e à votação tardia da LDO. “O objetivo não é retardar o processo, mas assegurar um documento que retrate as prioridades nacionais, o equilíbrio das contas públicas e o compromisso com as metas de médio e longo prazos”, afirmou.

Segundo Coronel, a LOA de 2025 prevê receitas e despesas de R$ 5,866 trilhões, com um crescimento real de 2,64% do PIB (Produto Interno Bruto), inflação acumulada de 3,3% e taxa básica de juros (Selic) média de 9,61% ao ano.

‌

Esse não é o primeiro atraso na aprovação do orçamento federal. Desde a Constituição de 1988, a LOA foi aprovada com atraso em 11 ocasiões. O maior atraso ocorreu em 1994, quando o orçamento foi aprovado apenas em outubro, a menos de três meses do fim do exercício fiscal.

Em recesso parlamentar desde 23 de dezembro, o Legislativo só retoma os trabalhos regulares em 2 de fevereiro de 2025, salvo eventual convocação extraordinária. A expectativa é que a análise do orçamento seja uma das prioridades do Congresso Nacional no início do próximo ano, para garantir a continuidade plena das atividades governamentais.

Leia o comunicado divulgado por Angelo Coronel

Entendo a importância de avançarmos na apreciação do orçamento, mas neste momento ainda carecemos de informações consolidadas.

As alterações no salário-mínimo, por exemplo, afetam significativamente despesas previdenciárias, benefícios sociais e metas fiscais, exigindo cálculos e projeções mais precisos.

Além disso, a própria LDO, aprovada na quinta com centenas de emendas, encontra-se pendente de sanção e análise de possíveis vetos, o que pode alterar substancialmente as diretrizes norteadoras do orçamento.

Sem uma base normativa plenamente definida e um cenário fiscal delineado por todos os elementos votados e sancionados, corremos o risco de produzir uma peça orçamentária desconectada da realidade.

O objetivo não é retardar o processo, mas assegurar um documento que de fato retrate as prioridades nacionais, o equilíbrio das contas públicas e o compromisso com as metas de médio e longo prazo.

Portanto, apreciar a peça mais importante do parlamento merece cuidado e tempo e por isso o nosso relatório ficará para apreciação na CMO e CN após o recesso parlamentar.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.