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Parlamentar tenta há onze anos reduzir férias de deputados do DF de 75 para 30 dias por ano

O petista Chico Vigilante defende fim do privilégio de 75 dias por ano de recesso parlamentar

Brasília|Fernanda Domingues, do R7

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Desde 2003, deputado diz que tenta colocar matéria em tramitação, mas não conta com apoio dos colegas
Desde 2003, deputado diz que tenta colocar matéria em tramitação, mas não conta com apoio dos colegas

Você já imaginou a regalia de ter 75 dias de férias por ano do seu trabalho? Um deputado distrital tem. E é para acabar com esse privilégio que há onze anos o petista Chico Vigilante tenta aprovar, na Câmara Legislativa, a redução de 75 para 30 dias do recesso dos deputados distritais. O objetivo, segundo o parlamentar, é fazer com que um distrital tenha os mesmos direitos e deveres de qualquer trabalhador comum.

— Quero igualar os parlamentares aos seres comuns da Terra, os trabalhadores.


Há mais de uma década, entretanto, Vigilante não consegue a ajuda dos colegas para emplacar o projeto. Segundo o distrital, da atual Legislatura, apenas ele e a deputada Arlete Sampaio (PT), líder do governo na Casa, apoiam a matéria. O motivo, para ele, é a dificuldade de autoridades brasileiras em abrir mão de regalias.

— É difícil quebrar privilégios no Brasil. O Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público são verdadeiras castas que não querem abrir mão dos privilégios.


A ideia surgiu em 2003, quando Vigilante assumiu a Câmara Legislativa. Ele conta que reuniu 22 mil assinaturas de brasilienses em apoio à redução de 40% das férias dos deputados distritais. A intenção era apresentar a proposta em forma de projeto de emenda popular. A tentativa, no entanto, não deu certo.

Na época, a Mesa Diretora barrou a matéria alegando que o documento não cumpria os requisitos regimentais necessários referentes aos projetos de iniciativa popular, como a descrição do número do título de eleitor e de documentos de identificação dos assinantes.


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Chico Vigilante decidiu apresentar uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica (37/2006) que instituía a redução do recesso parlamentar. Pela emenda - apresentada no dia 23 fevereiro de 2006 -, o ano legislativo teria início no dia 15 de janeiro e terminaria no dia 15 de dezembro, ou seja, entre esse período, os distritais sairiam de férias por apenas 30 dias. Hoje, os 75 dias de recesso a que os distritais têm direito são distribuídos nos meses de julho, dezembro e janeiro.


— Esse recesso que o Parlamento brasileiro tem, as assembléias legislativas e câmaras de vereadores se baseiam no Congresso Nacional. Isso tinha sentido quando não tinha avião e o deputado saía do Rio de Janeiro para o Acre e gastava um mês de viagem. Hoje para se deslocar dentro de Brasília [a pessoa] chega no máximo em três horas. 

Proposta de Emenda à Lei Orgânica

Protocolada a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (Pelo), em 2006, a matéria seguiu para a Comissão Especial de Análise de Pelos e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas não saiu do lugar. De acordo com a assessoria parlamentar de Vigilante, a última vez que os distritais discutiram seu projeto foi em julho de 2006, ou seja, há quase oito anos. Para aprovar a Pelo, seria necessário o apoio de no mínimo oito dos 24 deputados distritais.

— [A aprovação da matéria] traria mais ação, mais trabalho, mais produção [para a Casa]. Acaba que terminam generalizando que deputado não trabalha. Eu considero que cumpro minhas obrigações e tudo, e acabo sendo jogado na vala comum, ressaltou Vigilante.

Apesar de tentar aprovar a matéria há mais de uma década, o distrital disse que não vai desistir da proposta e afirmou que vai voltar a recolher assinaturas dos brasilienses para retomar o projeto em forma de emenda popular. Vigilante acredita ainda que, quando a matéria for aprovada, ela refletirá no Congresso Nacional e também no Poder Judiciário.

— Não vou desistir desse projeto. À medida que a gente implementasse isso no Distrito Federal, a meu ver, abriria a discussão no Congresso Nacional e no Judiciário, que tem 90 dias de férias em um país tão carente de Justiça.

Chance nula

O doutor e professor de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília), David Fleischer, considera a proposta de Vigilante interessante e coerente com a expectativa da população brasileira sobre o Legislativo, mas acredita ser praticamente nula a chance de a proposta ser um dia aprovada.

— Não vejo nenhuma possibilidade de aprovar essa redução [do recesso], apesar da campanha que nós estamos vendo nas ruas “vai trabalhar deputado”. Todo mundo tem 30 dias de férias, por que os deputados teriam esse recesso de julho e ainda de Natal e Ano Novo, que são pelo menos dois meses?

De acordo com Fleischer, o Brasil está na contramão no que diz respeito às regalias dos parlamentares em relação a outros países. Nos Estados Unidos e em países da Europa, por exemplo, o doutor explica que os recessos são bem menores, de praticamente um mês – inclusive em ano eleitoral.

Depois da iniciativa de Vigilante, outras quatro propostas foram apresentadas, entre os anos de 2007 e 2011, na Câmara Legislativa, com o mesmo teor de seu projeto: a redução do recesso parlamentar. Entretanto, a última vez que os distritais se reuniram para discutir a diminuição de suas férias foi em abril de 2013, na comissão especial que analisa projetos que modificam a Lei Orgânica.

Privilégios

Além do recesso de 75 dias por ano, os distritais também possuem outras regalias. Segundo o setor de Recursos Humanos da CLDF (Câmara Legislativa do DF), o salário de um deputado distrital é de R$ 20,42 mil. Cada parlamentar também tem direito a R$ 20 mil por mês para gastar com verba indenizatória – recursos utilizados para custear trabalhos dos gabinetes parlamentares, como pagamento de imóveis e veículos, material de expediente, combustível e contratação de consultoria.

Os deputados também têm R$ 170 mil por mês de verba de gabinete, usada geralmente para contratação de funcionários comissionados e outros serviços. Os distritais também possuem auxílio alimentação de R$ 1.034 todo mês.

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