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Peru reassume comando do Parlamento Amazônico após três décadas

Nova direção terá o desafio de fortalecer a atuação do parlamento diante do avanço da mineração ilegal e do tráfico de pessoas

Brasília|Deborah Hana Cardoso, da RECORD Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O senador peruano Víctor Manuel Noriega Reátegui assumiu a presidência do Parlamento Amazônico, sucedendo o brasileiro Nelsinho Trad.
  • O novo presidente enfrentará desafios como a restauração de florestas, a bioeconomia sustentável e o manejo do fogo.
  • Houve relatos de mineração ilegal, tráfico de pessoas e contaminação por mercúrio na região amazônica durante a assembleia.
  • Representantes destacaram a necessidade de uma atuação mais prática e coordenada do Parlamento Amazônico para enfrentar problemas sociais e de segurança.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Víctor Manuel Noriega Reátegui vai substituir Nelsinho Trad no comando do Parlamaz
Víctor Manuel Noriega Reátegui vai substituir Nelsinho Trad no comando do Parlamaz Divulgação/Parlamaz

Por aclamação, o senador peruano Víctor Manuel Noriega Reátegui assumiu, nesta quinta-feira (29), a presidência do Parlamaz (Parlamento Amazônico). Ele sucede o senador brasileiro Nelsinho Trad (PSD-MS), responsável por liderar o processo de retomada do colegiado em 2020.

Peru e Equador estavam entre os favoritos para assumir o comando da instituição. Ao final, prevaleceu a candidatura peruana, devolvendo a presidência ao país de origem do organismo após cerca de três décadas.

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A cerimônia de posse foi realizada em Armênia, durante a COP17 da Biodiversidade. Em seu discurso, Reátegui afirmou que dará continuidade ao trabalho desenvolvido por Trad. “Não se trata de superar, mas de seguirmos caminhando juntos”, declarou o novo presidente.

À frente do Parlamaz, Reátegui terá o desafio de manter os três principais eixos da agenda regional: restauração de florestas e ecossistemas, bioeconomia sustentável e manejo integrado do fogo.

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Essas prioridades foram definidas ao longo do processo de reinstalação do Parlamento Amazônico. Durante esse período, representantes dos países-membros realizaram visitas à Colômbia, ao Brasil e ao Peru para aproximar agendas, compartilhar experiências e fortalecer pesquisas e iniciativas comunitárias. O trabalho conjunto resultou na consolidação dos três temas como prioridades estratégicas.

Nos bastidores, integrantes ligados ao parlamento relataram, sob condição de anonimato, insatisfação com a falta de interesse político em transformar o Parlamaz em uma instituição mais prática e menos simbólica.

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Além da preservação ambiental

Durante a assembleia, representantes do Peru, Equador e Bolívia relataram o avanço da mineração ilegal, do tráfico de pessoas e da contaminação por mercúrio em áreas amazônicas. Os debates mostraram que os desafios da região vão além do desmatamento, reforçando a necessidade de um Parlamento Amazônico mais atuante.

Uma das exposições foi feita pela parlamentar peruana Azucena Isla Rojas, que descreveu como operadores de dragas utilizadas no garimpo ilegal conseguem escapar da fiscalização. Segundo ela, quando policiais e militares chegam às áreas de operação, os equipamentos são submersos para evitar apreensões.

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“O problema não é a falta da norma, mas que a norma não chega ao rio”, criticou.

A parlamentar também denunciou a contaminação por mercúrio em Pintuyacu, na Amazônia peruana. Segundo o relato apresentado, 79% das medições registraram níveis do metal acima dos valores de referência estabelecidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Outra denúncia partiu da representante equatoriana Esperanza Rogel, que alertou para a atuação de redes criminosas envolvidas em violência sexual contra meninas e adolescentes, além do recrutamento de menores.

Diante desse cenário, Rogel defendeu uma resposta coordenada entre os países-membros e destacou que a Amazônia não pode ser vista apenas como um “santuário” de recursos naturais, mas também como um território que enfrenta graves problemas sociais e de segurança.

Trad apresentou um relatório em que defende que a preservação da floresta se estenda a outro bioma brasileiro, o Pantanal. “A umidade liberada pela floresta é transportada pelos ventos e contribui para as chuvas que abastecem o Pantanal”, afirmou o senador.

Papel dos parlamentos

Presente ao evento, o diplomata brasileiro Gustavo Buttes, do Ministério das Relações Exteriores e integrante do Departamento de América do Sul, ressaltou a importância dos parlamentos para garantir continuidade às políticas voltadas à Amazônia.

“Os parlamentos podem e devem conferir legitimidade, continuidade e alcance político aos esforços implementados pelos governos dos países amazônicos, elevando o nível do debate político sobre os temas amazônicos”, afirmou.

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