PF faz buscas em endereços ligados a parlamentar de Goiás na 15ª fase da Operação Lesa Pátria
Segundo a PF, são cumpridos dois mandados em Goiás, nas cidades de Piracanjuba e Goiânia
Brasília|Rafaela Soares, do R7, em Brasília

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (29) a 15ª fase da operação Lesa Pátria, que investiga participantes e financiadores dos atos extremistas do dia 8 de janeiro. Dois mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços ligados a um parlamentar do estado de Goiás. O R7 apurou que o alvo é o deputado estadual Amauri Ribeiro (União-GO), que chegou a afirmar no plenário que teria financiado os acampamentos que levaram aos atos do 8 de Janeiro. A reportagem entrou em contato com a assessoria do parlamentar e aguarda retorno.
Acima da cadeira queimada, está o quadro “Os Bandeirantes de Ontem e de Hoje”, do artista Masanori Uragami. A obra, feita em 1971, é um mural de 8,75m²
Acima da cadeira queimada, está o quadro “Os Bandeirantes de Ontem e de Hoje”, do artista Masanori Uragami. A obra, feita em 1971, é um mural de 8,75m²
Os mandados são cumpridos nas cidades de Goiânia e Piracanjuba, ambas em Goiás. Segundo a PF, as investigações apuram os crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo.
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As investigações continuam em curso, e a Operação Lesa Pátria se torna permanente, com "atualizações periódicas acerca do número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas”.
Financiamento de acampamentos
No dia 6 de junho, Ribeiro afirmou no plenário da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ter feito doações para os acampamentos de extremistas, que levaram aos atos de depredação em 8 de janeiro, quando vândalos invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. O parlamentar disse ter contribuído com quem estava reunido no Quartel do Exército em Goiânia (GO), onde também acampou.
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"Eu ajudei a bancar quem estava lá. Mande me prender. Eu sou um bandido, um terrorista, um canalha na visão de vocês. Eu ajudei, levei comida, água, dei dinheiro. Eu acampei lá e também fiquei na porta [do quartel de Goiânia], porque sou patriota. O dinheiro não veio de fora, veio de gente que acredita nesta nação, que defende este país e que não concorda com governo corrupto e bandido", declarou o deputado estadual, no plenário da Alego.
Na época, a assessoria do parlamentar afirmou ao R7 que as "falas foram retiradas de contexto com o claro e evidente objetivo de associar sua imagem aos atos criminosos que aconteceram em Brasília".
O texto informava também que Amauri Ribeiro destaca que "as manifestações, em sua grande maioria, foram realizadas de forma pacífica por patriotas que pernaneceram acampados na porta de quartéis e não cometeram nenhum tipo de crime".
Quem é o deputado?
De acordo com informações do portal da Alego, Ribeiro é natural de Trindade (GO) e foi para Pirancajuba (GO) aos 10 anos. Trabalhou, durante a infância e parte da juventude, na roça, onde atuou como vaqueiro, peão, tirador de leite e inseminador bovino. Com ensino superior incompleto, o deputado se declara agropecuarista. Entrou na política em 2008, quando foi eleito vereador por Piracanjuba. Em 2012, elegeu-se prefeito do município. Está na Alego desde 2018.




















