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Por não caber em avião, onça viaja 1.500 km em caminhonete durante 30 horas entre Paraná e Goiás

Caixa ideal para o conforto da 'onça-preta' era 5 cm maior do que a aeronave suportava; transporte faz parte de plano de preservação

Brasília|Giovanna Inoue, do R7, em Brasília

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Cacau fez a viagem sem tomar medicamento
Cacau fez a viagem sem tomar medicamento

Uma onça melânica, conhecida como "onça-preta", foi transportada por cerca de 1.500 km em uma caminhonete entre o Paraná e Goiás, num trajeto de 30 horas na última terça-feira (11). Cacau, como é chamada, saiu do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu, com destino a organização não governamental (ONG) Instituto NEX NoExtinction em Corumbá de Goiás (entorno do Distrito Federal), aonde chegou no dia seguinte.

A ideia inicial era que Cacau fizesse a viagem de avião, mas a caixa necessária para o conforto da onça era 5 centímetros maior do que a aeronave podia suportar. A caixa era ventilada e feita para deixar o animal seguro.


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Cacau fez a viagem sem ser submetida a nenhum tipo de medicamento, acordada e com temperamento calmo durante todo o trajeto. O transporte terrestre foi acompanhado de um veterinário e um biólogo, para garantir a saúde e o bem-estar do felino. Ao chegar ao destino, na última quarta (12), ela caminhou, bebeu água e comeu.

Preservação

O transporte fez parte do Programa de Cativeiro, um plano de ação nacional para conservar e preservar espécies ameaçadas de extinção. A ação é feita por meio de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab).


O programa foi criado em 2019 e consiste em planejamentos estratégicos de especialistas que cruzam dados sobre espécies em cativeiro e buscam compatibilidade entre elas. 

Cacau tem 7 anos, pesa 79 kg e foi levada a Corumbá para conhecer Oxóssi, uma onça melânica macho de 3 anos que nasceu no local. Na avaliação da analista ambiental Rose Gasparini Morato, a combinação dos dois foi "extremamente estratégica".


O programa%2C como política pública%2C é extremamente importante para que nós possamos manter a existência da espécie. Sem ele%2C os animais ficariam cada um em seu canto e nunca saberíamos.

(Rose Gasparini Morato, analista ambiental)

Cacau deve ficar alguns dias em ambientação antes de a equipe colocá-la com Oxóssi para o acasalamento. Caso dê certo, podem nascer entre um e quatro filhotes após a gestação de cem dias. A partir daí, o programa vai decidir o melhor destino para as onças.

O Instituto NEX trabalha há mais de 20 anos no resgate, reabilitação, reintrodução, monitoramento, reprodução e pesquisas cientificas de onças-pintadas. Com a chegada de Cacau, 25 animais estão abrigados na ONG. 

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