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Relatora de CPMI do 8 de Janeiro evita dizer se Bolsonaro será convocado a depor

Segundo a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), a comissão deve mirar autores intelectuais e financiadores dos atos antidemocráticos

Brasília|Hellen Leite e Bruna Lima, do R7, em Brasília

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Senadores Randolfe Rodrigues e Eliziane Gama
Senadores Randolfe Rodrigues e Eliziane Gama

A relatora da CPMI do 8 de Janeiro, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), evitou dizer se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será convocado a depor no colegiado. Nos bastidores, a base do governo Lula articula um plano para convocar o ex-chefe do Executivo, mas isso só deve ocorrer se for possível a construção de uma narrativa que ligue diretamente Bolsonaro aos atos de vandalismo. 

"Se o ex-presidente Jair Bolsonaro será convocado ou não é um debate que poderá ocorrer ao longo do processo, acho que antecipar agora quem será convocado é temerário. Estamos em uma primeira fase do processo, e nessa fase da investigação a gente precisa demarcar o ponto fundamental, que é a busca dos autores intelectuais e financiadores. As provas que vão chegar nos darão um parâmetro da necessidade da convocação ou não. Então, eu não posso antecipar a convocação dele", afirmou Eliziane.

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A expectativa é que cerca de 200 requerimentos sejam protocolados pela base do governo. Os primeiros depoimentos devem ser de nomes ligados ao ex-presidente, com o de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que está preso em um quartel do Exército, e Ailton Barros, detido pela Polícia Federal durante a operação que investiga supostas fraudes nos certificados de vacinação contra a Covid-19. 

Além deles, a base do governo também pretende convocar o ex-secretário de Segurança do DF e ex-ministro de Bolsonaro Anderson Torres, que foi preso durante as investigações sobre os ataques de 8 de janeiro.

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Oposição questiona relatoria da CPMI

Mesmo com o acordo da maioria dos membros da comissão, a oposição diz que vai questionar na Justiça a escolha de Eliziane Gama para a relatoria do colegiado. Segundo o senador Marcos do Val (Podemos-ES), o resultado do relatório seria prejudicado, porque a senadora seria uma aliada do ministro da Justiça, Flávio Dino.

"Vou pedir o afastamento ou a troca da relatora pela questão da parcialidade. Quando o ministro Flávio Dino esteve no Senado, quem sentou ao lado dele foi a Eliziane Gama", afirmou Marcos do Val. Desde o início do movimento pela criação da CPMI, o senador pleiteia a vaga de relator dos atos extremistas nas sedes dos Três Poderes.

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Em resposta, Eliziane disse que "não vai ser intimidada" pela oposição. "Ser aliada de Flávio Dino ou adversária de quem quer que seja não inviabiliza minha atuação aqui", afirmou.

A oposição tenta enquadrar Dino e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como responsáveis pela invasão e sustenta ter provas que mostram que a gestão federal foi omissa e não tentou impedir a entrada dos vândalos.

Já o governo quer mirar no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados como os responsáveis por incitar apoiadores a questionar o resultado das urnas e, num ato extremo, depredar o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o prédio do Supremo Tribunal Federal.

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