Brasília Renan Calheiros: 'Hang ensaia pastelão para encenar na CPI'

Renan Calheiros: 'Hang ensaia pastelão para encenar na CPI'

Relator da CPI critica empresário que prestará depoimento à comissão na quarta-feira, quando deve falar sobre 'gabinete paralelo'

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Luciano Hang presta depoimento à CPI na próxima quarta-feira (29)

Luciano Hang presta depoimento à CPI na próxima quarta-feira (29)

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Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL) criticou nesta segunda-feira (27) o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan. Hang prestará depoimento à CPI na próxima quarta-feira (29). Ele deve esclarecer a internação da mãe, Regina Hang, em uma unidade da operadora Prevent Senior, onde ela faleceu em fevereiro deste ano, e a suposta relação dele com o chamado "gabinete paralelo".  

"Luciano Hang ensaia pastelão para encenar na CPI. Não adianta; só houve um Joaquin Phoenix (ator) no papel do Coringa e não há como imitá-lo. Terá que comparecer quarta-feira, dentro das regras do Senado, e responder pelos crimes de que é acusado. Ali não é picadeiro", escreveu em seu perfil no Twitter.

A publicação é uma resposta ao vídeo publicado por Hang nesta segunda. Nele, o empresário usa uma algema, afirma que estará disponível durante toda a quarta-feira e que levará a algema ao Senado e entregará uma chave a cada senador para que o prendam caso não gostem do que ele disser.

"Gentileza gera gentileza, respeito gera respeito. Quero que eles façam as perguntas e eu tenha todo o tempo do mundo para responder. Toda a quarta-feira vai estar disponível. Eu trabalho 24 horas por dia, então eu vou ter todo o tempo do mundo. E, se por um acaso eles não aceitarem o que eu for falar, para não gastarem dinheiro com algema, já comprei uma algema e vou entregar uma chave a cada senador. E que me prendam", afirmou.

Hang disse que está indo à comissão "com o peito aberto". Ele foi convocado e o depoimento foi marcado após o caso da operadora Prevent Senior vir à tona. Médicos enviaram um dossiê à comissão advertindo que a operadora fez uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como cloroquina e ivermectina, sem a anuência de pacientes. Os profissionais ainda denunciaram suposta subnotificação de óbitos pela doença nas unidades da Prevent.

No caso de Hang, os médicos informaram que a certidão de óbito da sua mãe, Regina Hang, foi fraudada para não constar a Covid-19. Além disso, disseram que ela fez uso de medicamentos sem eficácia comprovada em uma unidade da Prevent Senior, mas que a informação foi escondida. Na época da morte da mulher, o empresário gravou um vídeo defendendo o chamado "tratamento preventivo" e refletindo sobre o que mais poderia ter feito por sua mãe.

Segundo ele,  Regina Hang foi levada ao hospital quando já estava com quase 95% dos pulmões comprometidos. "Ela estava assintomática, e quando nós pegamos foi muito tarde. Eu me questiono: será que se eu tivesse feito o tratamento preventivo eu não teria salvado a minha mãe?", questionou.

Os senadores também suspeitam da relação de Hang com o chamado "gabinete paralelo", que, conforme apurado pela comissão, assessorava o presidente Jair Bolsonaro com informações negacionistas no âmbito da pandemia. Entre seus integrantes estariam a médica Nise Yamaguchi e o empresário Carlos Wizard. Os senadores apontam que o gabinete, composto de pessoas que não fazem parte do governo, levava informações que atrapalhavam o combate à Covid-19 pelo governo federal.

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