Brasília Rússia: Bolsonaro se encontra com empresários e debate parcerias

Rússia: Bolsonaro se encontra com empresários e debate parcerias

Chefe do Executivo se reuniu com setor por cerca de 1h30, em hotel próximo à Praça Vermelha, em Moscou, nesta quarta (16)

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

Jair Bolsonaro se reúne com empresários em Moscou, na Rússia

Jair Bolsonaro se reúne com empresários em Moscou, na Rússia

Reprodução

No penúltimo dia de viagem à Rússia, nesta quarta-feira (16), o presidente Jair Bolsonaro visitou Moscou e se encontrou com empresários de diversos setores. Entre as pautas discutidas, estão as áreas de agronegócio, defesa, energia e infraestrutura.

A reunião ocorreu em um hotel próximo à Praça Vermelha, um dos cartões-postais da capital russa, e demorou 1h30. Mais cedo, Bolsonaro se reuniu por cerca de 2h com o presidente Vladimir Putin. O mandatário brasileiro exaltou o diálogo com o país, defendeu a soberania das nações e pregou empenho pela paz.

No encontro com empresários, Bolsonaro, por sua vez, disse que conta com o apoio dos setores para acelerar a economia, freada pela inflação que ultrapassou os dois dígitos nos últimos meses.

A Rússia está entre os 15 maiores parceiros comerciais do Brasil. Em 2021, a parceria rendeu US$ 7,29 bilhões em negócios, ante os US$ 4,27 bilhões registrados em 2020 — o valor mais alto desde 2008. O comércio bilateral entre os países é concentrado na área de agronegócio (soja e carnes do lado brasileiro e fertilizantes, do russo).

Durante a reunião, empresários elevaram as projeções e defenderam que a parceria entre Brasil e Rússia chegue aos US$ 10 bilhões. Uma das ideias é que as empresas russas que vendem fertilizantes façam investimentos no país em larga escala.

Presente no encontro, o empresário Fernando de Castro Marques, presidente da União Química, farmacêutica responsável pela fabricação da Sputnik V, vacina russa contra a Covid-19, no Brasil, afirmou que devem ser assinados, em breve, acordos bilaterais de apoio para que brasileiros façam investimentos na Rússia e vice-versa.

Marques avalia o encontro como positivo e destaca conversas sobre os setores de estratégia, defesa e biotecnologia. O presidente da farmacêutica contou, ainda, que houve a exibição de um vídeo-depoimento dado pelo presidente do banco do BRICS — grupo formado por cinco países emergentes — relatando oportunidades e recursos disponíveis para investimento dos russos em ações que envolvam as áreas de infraestrutura, energia e agronegócio.

Na reunião, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, que estava ao lado de Bolsonaro, comentou sobre as reformas aprovadas no Congresso Nacional, como a da Previdência, e em tramitação, a exemplo da tributária, e argumentou que há inúmeras oportunidades aos empresários russos no Brasil. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, inclusive, vai analisar a reforma tributária na próxima quarta-feira (23).

No início de janeiro, o grupo russo Acron fechou acordo com a Petrobras para a compra da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. A assinatura do contrato depende de tramitação na unidade de governança da empresa estatal brasileira.

A UFN3 é uma unidade de fertilizantes nitrogenados, cuja construção se iniciou em setembro de 2011, mas foi interrompida em dezembro de 2014. Após concluída, a unidade terá capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 toneladas por dia e 2.200 toneladas por dia, respectivamente. A conclusão será de responsabilidade do comprador.

Inicialmente, estava prevista a participação da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, na comitiva brasileira à Rússia. No entanto, a titular teve teste de Covid-19 positivo na semana passada, impossibilitando presença no país russo.

Após realizar novo teste de detecção da doença, com resultado negativo, Tereza viajou, na terça-feira (15), para o Irã, na tentativa de ampliar as relações comerciais do agro brasileiro. No local, a ministra vai tratar da importação de ureia iraniana. A agenda consta visita à Petroquímica de Shiraz e à Câmara de Comércio de Shiraz.

Bolsonaro deve embarcar às 8h30 (horário local) para Budapeste, na Hungria, na quinta-feira (17). No país, o mandatário deve se encontrar com o primeiro-ministro Viktor Orbán. No dia seguinte, sexta-feira (18), o chefe do Executivo brasileiro deve visitar Petrópolis, município do Rio de Janeiro afetado pelas fortes chuvas que já provocaram pelo menos 58 mortes.

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