Brasília 'Sergio Moro: além de traíra, mentiroso', diz Bolsonaro 

'Sergio Moro: além de traíra, mentiroso', diz Bolsonaro 

Presidente voltou a fazer críticas ao seu ex-ministro da Justiça ao comentar comunicado da Polícia Federal ao STF 

  • Brasília | Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

Presidente Jair Bolsonaro em live nesta quinta-feira (31)

Presidente Jair Bolsonaro em live nesta quinta-feira (31)

Reprodução/YouTube

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (31), em sua live semanal, que Sergio Moro, ex-ministro da Justiça de seu governo, é "mentiroso". O comentário foi feito quando o presidente leu uma notícia sobre o comunicado da PF (Polícia Federal) ao STF (Supremo Tribunal Federal) de que não há indícios de crime nas trocas feitas no comando da corporação. As mudanças e a suposta interferência foram duas das justificativas de Moro para deixar o governo. "Sergio Moro: além de traíra, mentiroso," disse Bolsonaro. 

Em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Polícia Federal afirma que o presidente não interferiu na corporação. A investigação sobre o caso começou há dois anos, após declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Ao deixar o cargo, em abril de 2020, Moro afirmou que o presidente havia dito em uma reunião, no mesmo mês, que interferiria na superintendência da corporação no Rio de Janeiro. O ato, de acordo com as acusações, ocorreria para que o chefe do Executivo protegesse amigos e parentes no estado.

No entanto, para a PF, não foram encontrados elementos suficientes para caracterizar a eventual interferência ou a prática de qualquer crime de Bolsonaro em relação ao caso.

"No decorrer dos quase dois anos de investigação, dezoito pessoas foram ouvidas, perícias foram realizadas, análises de dados e afastamentos de sigilo telemático implementados. Nenhuma prova consistente para a subsunção penal foi encontrada. Muito pelo contrário, todas as testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações conduzidas na Polícia Federal", destaca um trecho do relatório.

A Procuradoria-Geral da República, ao abrir a investigação, afirmou que Moro poderia ter cometido o crime de denunciação caluniosa, caso as acusações não se confirmassem. No entanto, para a Polícia Federal, o ex-ministro também não cometeu crime.

Moro desiste de se candidatar a presidente

Nesta quinta-feira, Moro anunciou que desistiu da candidatura à Presidência da República. Ele assinou a filiação ao União Brasil, deixando o Podemos. Apesar da mudança, o ex-ministro ainda não decidiu a qual cargo concorrerá nas eleições deste ano. A expectativa é que a definição saia até julho, com base na análise dos resultados das próximas pesquisas.

"O Brasil precisa de uma alternativa que livre o país dos extremos, da instabilidade e da radicalização. Por isso, aceitei o convite do presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar, para me filiar ao partido e, assim, facilitar as negociações das forças políticas de centro democrático em busca de uma candidatura presidencial única", escreveu Moro, nas redes sociais.

IPI

O presidente disse também que os preços de vários produtos vão subir se o ministro do STF Alexandre de Moraes mandar arquivar o decreto presidencial de redução de IPI (em 25%).

Ao ler durante a transmissão uma notícia sobre o ministro ter sido sorteado relator de uma ação contra o decreto, Bolsonaro disse que a decisão está na mão de Moraes. "Se ele mandar arquivar esse meu decreto, atenção, pessoal, vai subir o IPI em 25% de carro, motocicleta, geladeira, fogão etc.", afirmou.

Bolsonaro afirmou ainda que a redução da violência no Brasil também se deve ao aumento das armas de fogo. "Hoje em dia quando o cara vai assaltar uma casa ele pensa: 'será que tem uma arma lá dentro?' No passado [ele] tinha certeza que não tinha", especulou. "Outra coisa, a questão da arma de fogo para o proprietário rural... Antigamente ele comprava uma arma [que] valia só para embaixo do teto de sua casa. O Congresso aprovou o projeto e essa posse da arma passou a valer para todo o período da fazenda. (...) Fica difícil para o marginal do exército do Stedile querer invadir alguma coisa. Essas pessoas [do MST] eram usadas para o mal," opinou.

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