Tarifaço de Trump: o que muda e por que o Brasil pode ganhar
Mudança abre espaço para a indústria brasileira em categorias de produtos competitivos, especialmente alimentos e agroindustriais
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Apesar da insegurança do mercado, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em aumentar as tarifas globais de 10% para 15%, pode beneficiar o Brasil. Especialistas ouvidos pelo R7 entendem que a mudança abre novamente espaço para a indústria brasileira em categorias de produtos competitivos, especialmente alimentos e agroindustriais.
O anúncio do líder norte-americano foi feito após a decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar o programa tarifário de Trump, baseado em uma lei de emergência econômica. Na decisão, os juízes entenderam que a responsabilidade para a criação de tarifas cabe ao Congresso, e não ao Executivo.
O julgamento anulou parte relevante do tarifaço, quando o governo de Trump havia imposto alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% em alguns casos.
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Segundo o governo brasileiro, no ápice das medidas, 37% das exportações brasileiras estavam sendo afetadas. Entretanto, após as negociações do fim do ano passado, o percentual caiu para 22%. No caso dos itens que estavam sem taxas, o resultado é uma sobretaxa de 15%.
Na última semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin chegou a comentar que produtos como aço e alumínio, atingidos pela Seção 232 da legislação americana, podem ter desdobramentos jurídicos. Através da Seção 232 da Lei de Segurança Nacional dos EUA, o país pode impor tarifas sobre importações consideradas ameaça à economia.
O que dizem os especialistas
Para o doutor em internacionalização João Alfredo Nyegray, o efeito para o Brasil não é exatamente um “alívio imediato”, mas uma mudança na natureza do risco.
“Não é um retorno ao status quo anterior. O que ocorre é uma reconfiguração do risco externo”, afirma. Segundo ele, a nova taxa anunciada por Trump “funciona como imposto indireto sobre cadeias globais de valor”, diz.
Ele acrescenta que exportadores brasileiros afetados por tarifas amplas ganham espaço para reorganização. “Há uma janela para recomposição de margens, renegociação de contratos e planejamento logístico”, destaca.
Ao mesmo tempo, Nyegray alerta para novos desafios. “A substituição de um mecanismo amplo por instrumentos mais específicos pode gerar incerteza permanente. Em vez de um grande choque, teremos múltiplas frentes de pressão regulatória.”
Para o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a remoção da alta tarifa dá aos exportadores um pouco de fôlego, mas não deve ser vista por ninguém no comércio exterior como um retorno à normalidade.
“O risco não desaparece completamente, mas apenas se desloca para outro lugar. A questão é que as tarifas se tornaram uma ferramenta política e podem retornar sob outra justificativa legal a qualquer momento, de modo que os exportadores precisam, na verdade, trabalhar com o que pode acontecer”, completa.
Impacto de US$ 21 bi
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em derrubar as tarifas sobre produtos importados impostas pelo presidente Donald Trump causaria um impacto de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para o país norte-americano. O levantamento, feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), tem como base dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos EUA.
Nesta sexta-feira (20), a Corte decidiu, por 6 votos a 3, derrubar as tarifas impostas por Trump a produtos importados. Na visão dos juízes, a interpretação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes.
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