Brasília TCU determina que Braskem explique valor para reparação de dano ambiental em Maceió

TCU determina que Braskem explique valor para reparação de dano ambiental em Maceió

O despacho decreta também a realização de investigações em órgãos do governo federal, incluindo ministérios e o Ibama

  • Brasília | Agência Estado

TCU determina investigação sobre mina da Braskem

TCU determina investigação sobre mina da Braskem

Guido Jr./Estadão Conteúdo - 11.12.23

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que a Braskem se explique sobre o dano ambiental em Maceió e o valor pago pela mineradora como reparação. O despacho, assinado pelo ministro Aroldo Cedraz na última sexta-feira (15), integra uma representação do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para que o prejuízo causado pela empresa seja quantificado e reparado pelos eventuais responsáveis.

No despacho, o ministro Cedraz alerta para o fato de que a celebração de novos acordos entre a União e a Braskem, antes de quantificados os prejuízos causados pelo colapso em Maceió, pode acarretar responsabilização pelo TCU. A mina 18, operada pela Braskem, rompeu no dia 10 de dezembro. Segundo a Defesa Civil de Maceió, o rompimento se deu por volta das 13h15, na lagoa Mundaú, localizada no bairro Mutange.

Em julho, a Prefeitura de Maceió recebeu R$ 1,7 bilhão da petroquímica pelos danos causados após a evacuação de vários bairros.

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Investigações no governo federal

Além da Braskem, o despacho determina também a realização de investigações em órgãos do governo federal. O propósito, segundo o documento, é a "quantificação e reparação dos danos causados à União pela subsidência ocorrida em Maceió".

Estão convocados a realizar as audiências a Casa Civil da Presidência da República, o Ministério de Minas e Energia, o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e o Serviço Geológico Brasileiro (SGB).

Competência do TCU

Na peça, o ministro Aroldo Cedraz rebate a alegação da empresa de que o TCU não teria competência para julgar o caso. "Cabe ainda afastar, desde já, a preliminar suscitada pela Braskem a respeito de incompetência desta Corte para desconstituir decisão judicial transitada em julgado", diz o ministro no despacho.

"A existência de acordo judicial a respeito de ressarcimento de dano ao erário não obsta a competência do TCU para promover sua própria quantificação e responsabilização", completa Cedraz, aludindo a uma alegação da Braskem de que já havia firmado um acordo indenizatório com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). 

O TCU deu cinco dias à Braskem e aos órgãos para que prestem as explicações.

CPI da Braskem no Senado

Além da representação no TCU, Renan Calheiros foi um dos principais articuladores da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem, destinada a apurar o colapso nas minas de sal-gema em Maceió. Bairros próximos às atividades da empresa têm registrado danos estruturais, e a ameaça de um colapso deslocou milhares de moradores da região no último mês. A CPI foi instalada na última quarta-feira (13), sob a presidência de Omar Aziz (PSD-AM). Jorge Kajuru (PSB-GO) foi eleito vice do colegiado.

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