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Técnicos do Congresso defendem derrubar 4 de 24 vetos de Lula ao Orçamento de 2023

Consultores questionam oposição a verbas destinadas ao Incra e a fundos penitenciário, de turismo e de desenvolvimento científico

Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

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Congresso Nacional
Congresso Nacional Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Consultores do Senado e da Câmara dos Deputados elaboraram um documento com análise técnica contrária a quatro vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Orçamento 2023. Ao todo, o Congresso Nacional precisa analisar 24 vetos presidenciais, e nove deles (veja os detalhes abaixo) estão travando a pauta, pois têm prioridade de votação em relação às demais matérias.

Ao todo, foram 38 dispositivos vetados na Lei Orçamentária Anual (LOA), barrando R$ 4,2 bilhões em despesas propostas, além da criação e do provimento de mais de 2.300 cargos federais. Lula também vetou o artigo que previa a identificação de recursos obtidos por meio da PEC do estouro, justificando que a restrição causaria "aumento de rigidez e de ineficiência do processo de alocação orçamentária".

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Pontos questionados

Somente do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) foram vetados recursos de R$ 4,18 bilhões. O governo federal argumentou que o valor descumpre a proporção entre operações reembolsáveis e não reembolsáveis, exigência da lei que regulamenta o fundo. No entanto, os técnicos do Congresso apontam que o recurso foi dobrado graças à emissão de títulos públicos, o que não entraria no limite referido.

O Executivo também vetou R$ 15 milhões em verbas destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); R$ 8 milhões ao Fundo Geral de Turismo (Fungetur); R$ 250 mil ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen); e outros R$ 60 milhões que iriam para o Ministério da Economia, para fomento ao associativismo e ao cooperativismo. 

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Desses valores barrados, os técnicos do Congresso sugerem a rejeição dos vetos referentes ao montante do Incra, que iria para aquisição de equipamentos para "fomento ao setor agropecuário". Apesar de o governo alegar que não existe atividade relacionada à despesa, os consultores sustentam que o próprio site do Incra fala em atuação na construção e na recuperação de estradas para o desenvolvimento dos assentamentos.

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Os técnicos também analisaram o veto que impede a destinação de R$ 500 mil ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), defendendo a ideia de que o montante, vindo de emendas parlamentares, pode ser usado, assim como vem sendo feito desde 2014.

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Por fim, advertiram que a vedação de novos cargos federais, que iriam ampliar o efetivo em seis universidades, restringe o pedido das instituições. "Com o veto às autorizações específicas, o Poder Executivo estará impossibilitado de criar e/ou prover cargos, funções e gratificações nas referidas universidades", diz a nota técnica. 

Prioridades de análise

Apesar da discussão em relação aos vetos à LOA, para que esse texto entre na pauta da próxima sessão do Congresso é necessário que outras nove vedações presidenciais também estejam incluídas na análise, já que elas travam as votações.

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Entre as prioridades estão os vetos ao reajuste pela inflação do piso salarial da enfermagem, à gratuidade do despacho da primeira bagagem em voos, além da criminalização de "comunicação enganosa em massa" pela Lei de Segurança Nacional e Crimes contra o Estado democrático de Direito. 

Para derrubar vetos feitos pelo Executivo, o Congresso precisa, primeiro, convocar uma sessão conjunta e garantir maioria absoluta de votos nas duas Casas. Responsável por convocar a sessão do Congresso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda não indicou uma data para a apreciação.

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