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Vitória de Lula fortalece Davi Alcolumbre na disputa pela Presidência do Senado

Atual presidente da Casa se aproximou de Lula na reta final da campanha e buscará apoio para enfrentar o PL, que terá 28 senadores em 2027

Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A vitória de Lula nas eleições presidenciais fortalece Davi Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado, com apoio do governo.
  • O Partido Liberal (PL) terá a maior bancada no Senado em 2027, com 28 senadores, e pretende lançar candidatura própria à presidência da Casa.
  • Davi Alcolumbre, presidente do Senado, busca reeleição com apoio de Lula, mas enfrenta desafios devido ao crescimento da bancada de direita.
  • O PL, com Rogério Marinho como principal candidato, busca influenciar a agenda legislativa e as relações institucionais com o Judiciário.

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Lula e Alcolumbre
Lula e Davi Alcolumbre durante a promulgação da PEC do fim da escala 6x1 Pedro Gontijo/Senado Federal - 16.10.2026

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais muda o cenário da disputa pelo comando do Senado e fortalece as articulações do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tentar a reeleição em fevereiro de 2027.

Alcolumbre passou a reta final da campanha alinhado ao governo Lula e deu andamento a propostas consideradas prioritárias pelo Planalto. Com a vitória do petista, o senador poderá buscar apoio governista para enfrentar o avanço do PL, que terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura.

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Neste domingo (25), após a confirmação do resultado das urnas, Alcolumbre telefonou para Lula para parabenizá-lo pela reeleição. Na conversa, ofereceu apoio do Congresso às propostas do governo e defendeu a união do país após a disputa eleitoral.

O movimento ocorre em meio às articulações pela sucessão no Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando termina o atual mandato de Alcolumbre.

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Apesar da aproximação com Lula, o presidente da Casa terá de reconstruir uma maioria parlamentar em um Senado que sairá das eleições com maior presença da direita.

O PL elegeu 19 senadores e chegará à próxima legislatura com 28 dos 81 integrantes da Casa. O número representa mais de um terço das cadeiras e coloca o partido de Flávio em posição de negociar uma candidatura própria à Presidência.

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Aproximação com Lula

A relação de Alcolumbre com o governo ganhou novo peso durante a reta final da campanha presidencial.

Enquanto Flávio buscava ampliar sua vantagem após terminar o primeiro turno à frente de Lula, o presidente do Senado deu andamento a propostas defendidas pelo petista e por sua base parlamentar.

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Uma delas foi a PEC do fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, uma das principais bandeiras da campanha petista.

Alcolumbre também participou das negociações para tentar concluir a votação da PEC da Segurança Pública, outra prioridade do governo.

A proposta, no entanto, acabou ficando para depois do segundo turno, diante das dificuldades de acordo com a oposição sobre a redução da maioridade penal.

Com a vitória de Lula, essa aproximação passa a ter importância também para a disputa interna do Senado.

O governo terá interesse na eleição de um presidente da Casa disposto a negociar sua agenda legislativa, especialmente diante do crescimento da oposição.

Para Alcolumbre, o apoio do Planalto pode contribuir para a reconstrução da aliança que o levou ao comando do Senado em 2025.

Avanço do PL

A principal dificuldade para a reeleição de Alcolumbre será o crescimento da bancada bolsonarista.

O PL terá 28 senadores a partir de fevereiro, tornando-se o maior partido da Casa. Apesar de não reunir sozinho os 41 votos necessários para eleger o presidente, a legenda poderá buscar alianças com outras siglas de direita e do Centrão.

O partido já vinha discutindo uma candidatura própria antes mesmo do segundo turno.

Em outubro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que a legenda não apoiaria a reeleição de Alcolumbre, por considerar que o senador estava alinhado ao governo Lula.

Na ocasião, apontou Rogério Marinho (PL-RN) como o nome do partido para a disputa. A expectativa dos bolsonaristas era chegar a fevereiro com Flávio no Planalto e as maiores bancadas da Câmara e do Senado.

Nesse cenário, o partido poderia negociar o comando das duas Casas, embora a Presidência do Senado fosse tratada como prioridade.

Com Lula reeleito, o PL terá de reorganizar sua estratégia para disputar espaço no Congresso a partir da oposição.

Rogério Marinho na disputa

O senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha de Flávio Bolsonaro, é o principal nome apresentado pelo PL para enfrentar Alcolumbre.

Ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro, Marinho participou das negociações por apoios à candidatura presidencial e mantém interlocução com diferentes setores da direita e do Centrão.

Antes do segundo turno, porém, a possibilidade de vitória de Flávio havia aberto outro caminho para o senador.

Nas articulações para um eventual governo do PL, Marinho era cotado para assumir a Casa Civil, um dos postos mais importantes da estrutura presidencial.

Essa possibilidade levou aliados a discutir outros nomes para a Presidência do Senado, entre eles Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, e Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara eleito senador em outubro.

Tereza Cristina chegou a manifestar interesse no comando da Casa, mas também sinalizou disposição para apoiar Marinho.

Lira, por sua vez, passou a ser considerado nas negociações por sua experiência na articulação de alianças partidárias. Aliados avaliam, no entanto, que ele poderia optar por disputar a Presidência em 2029, quando teria a possibilidade de buscar a reeleição posteriormente.

A derrota de Flávio elimina a perspectiva imediata de Marinho assumir a Casa Civil e tende a concentrar novamente as articulações do PL em torno de sua candidatura ao Senado.

Disputa também envolve o STF

O interesse do bolsonarismo pela Presidência do Senado vai além da definição das propostas que serão colocadas em votação.

A Casa tem atribuições importantes na relação com o STF (Supremo Tribunal Federal), incluindo a análise de indicações de ministros e de processos por crimes de responsabilidade contra integrantes da Corte.

Durante a campanha, Flávio defendeu mudanças no Judiciário e medidas para limitar decisões individuais de ministros do Supremo.

Parlamentares do PL também têm apresentado pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal, especialmente o ministro Alexandre de Moraes.

Para a oposição, conquistar a Presidência do Senado permitiria ampliar a influência sobre a tramitação dessas propostas e sobre a relação institucional com o Judiciário.

O comando da Casa também será importante para a análise de indicações feitas por Lula, votações de projetos do governo e negociações sobre a agenda econômica e de segurança pública.

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