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Vitória democrata pode ampliar espaço para o Brasil negociar tarifas agrícolas com os EUA

Com a oposição liderando o Congresso, analistas veem margem para rever barreiras, mas alertam que mudanças não serão imediatas

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA fortalece a oposição no Congresso, limitando a capacidade do presidente Donald Trump de implementar sua agenda.
  • A mudança política pode aumentar as chances de negociação para o Brasil, favorecendo revisões de tarifas que afetam o setor agropecuário brasileiro.
  • Embora a maioria democrata facilite negociações, Trump ainda tem poder de veto, e a redução de tarifas não é garantida.
  • O Brasil deve diversificar compradores e reforçar o diálogo com parlamentares e importadores americanos para melhorar as condições de acesso ao mercado dos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mesmo com resultado das eleições nos EUA, setor de soja segue atento à disputa pelo mercado chinês Alex Silva/Estadão Conteúdo - 17.03.2016

O setor agropecuário brasileiro pode ganhar novas oportunidades de negociação com o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A formação de uma maioria democrata no Congresso americano fortalece a oposição, limitando a capacidade do presidente Donald Trump de implementar sua agenda.

Segundo especialistas ouvidos pelo R7, essa mudança na política dos EUA pode favorecer a revisão de medidas que prejudicam os exportadores do Brasil, como o tarifaço. Além disso, a redução das alíquotas a produtos brasileiros é um tema de interesse público dos EUA, uma vez que tarifas elevadas encarecem insumos, pressionam os custos das empresas e contribuem para a alta da inflação.

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Disputa por mercado

Especialista em comércio exterior, Jackson Campos entende que, com a maioria democrata, o Brasil pode ampliar a pressão pela revisão do tarifaço. Contudo, ele prevê que o impacto não será imediato, visto que o agro brasileiro ainda enfrenta a concorrência dos EUA na China e os efeitos das oscilações cambiais.

Um exemplo dessa concorrência é a soja. O produto é um dos principais itens vendidos pelos americanos para os chineses, que também respondem por cerca de 70% das exportações do grão brasileiro — o que dá ainda mais peso à disputa.

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“O efeito sobre a margem dependerá dos custos e da proteção cambial de cada empresa. Minha avaliação é de que o Brasil deve aproveitar o ambiente para negociar melhores condições de acesso, sem apostar toda a estratégia numa mudança política americana. Diversificar compradores e preservar contratos continua sendo necessário”, ressalta Campos.

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Aposta no diálogo

O especialista também observa que é importante reforçar o diálogo com parlamentares e importadores dos EUA. Isso porque a perda da maioria no Congresso dificulta a aprovação de medidas por Trump e amplia a fiscalização sobre as tarifas, mas não encerra os poderes comerciais do Executivo nem o protecionismo americano.

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“Defendo que o Brasil reforce o diálogo com parlamentares e importadores americanos, mostrando que as barreiras também aumentam os custos de quem compra nossos produtos nos Estados Unidos”, conclui.

Poder de veto

A economista Tatiana Goes salienta que, apesar de a mudança no Congresso americano ter o potencial de favorecer negociações e revisões de medidas específicas, Trump continuará exercendo a Presidência e terá poder de veto sobre projetos legislativos.

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“Uma vitória democrata pode representar uma oportunidade de redução das tensões comerciais, mas não deve ser interpretada como garantia de eliminação das tarifas”, frisa.

Derrota de Trump

Nesta semana, o Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso americano nas eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas midterms.

Até a última atualização desta reportagem, os democratas somavam 237 cadeiras na Câmara — contra 139 dos republicanos — e 54 no Senado, onde o Partido Republicano garantiu 44 assentos.

O resultado representa um revés histórico para Trump. Com a nova maioria, a oposição ganha força para investigar possíveis irregularidades da gestão, convocar integrantes do governo e contestar medidas como o aumento de tarifas comerciais e o conflito com o Irã.

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