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Carro antigo oferece risco quase 4 vezes maior de morte em acidentes, mostra levantamento

Taxa de mortalidade em carros antigos é quase quatro vezes maior que em modelos recentes

Carros|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que veículos mais velhos têm uma taxa de mortalidade quase quatro vezes maior em acidentes comparados a carros novos.
  • Crash tests mostram que a segurança dos carros evoluiu, com avanços como a divisão da carroceria para absorver impactos e o uso de eletrônica embarcada, como airbags.
  • A idade média da frota de automóveis no Brasil aumentou, e a proporção de veículos com até cinco anos diminuiu, enquanto carros mais antigos se tornaram mais comuns.
  • Diferenças nas normas de construção e falta de itens de segurança em carros antigos aumentam os riscos em colisões com veículos modernos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Diferenças de design e falta de itens de segurança em carros antigos agravam consequências João Saplak/Pexels - 30.11.2023

Crash tests viraram uma das maneiras mais eficientes de entender o comportamento dos carros em acidentes, mas nenhum laboratório conseguiria montar o experimento insólito que as rodovias brasileiras fazem todos os dias.

Um levantamento do Jornal do Carro, com dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal), realizado entre janeiro e julho, com sinistros em que dois automóveis separados por dez anos ou mais bateram, mostrou que ocupantes dos modelos mais velhos sofreram as piores consequências.

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Foram 1.582 acidentes, com 2.491 ocupantes nos carros mais velhos e 2.467 nos mais novos.

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A taxa de mortalidade nos veículos mais antigos foi quase quatro vezes maior: 2,85% (71 óbitos), ante 0,73% (18 óbitos) nos mais novos.

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No cálculo que soma mortos e feridos graves, os números foram de 11,6% e 6,2%, respectivamente.

Um estudo publicado na revista JAMA Network Open, que analisou acidentes fatais nos Estados Unidos entre 2016 e 2021, mostra que o padrão não é exclusivamente brasileiro: o risco de morte nos EUA foi 19% maior em carros com 6 a 15 anos; e 31% maior em veículos com mais de 15 anos, na comparação com carros de até 5 anos, independentemente da idade do motorista.

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‘Lata grossa’

Durante meio século, a indústria acreditou que carro seguro era carro “duro”, que não amassava em colisões.

O engenheiro austro-húngaro Béla Barényi inverteu a lógica em 1952, quando trabalhava na Mercedes-Benz.

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Barényi patenteou uma ideia ousada, que envolvia dividir a carroceria em três partes — uma frente e uma traseira que amassassem, e uma cabine rígida.

A energia da batida deveria ser absorvida destruindo lata em vez de pessoas. O avanço foi notável.

A eletrônica embarcada também mudou o jogo, e o airbag é o melhor exemplo. Mas a virada decisiva veio dos testes independentes, os atuais NCAPs.

Em 2009, para marcar seus 50 anos, o IIHS (Instituto das Seguradoras para Segurança Viária) dos EUA fez um teste que virou um clássico do YouTube: jogou um Chevrolet Bel Air 1959 contra um Chevrolet Malibu 2009 a 64 km/h.

O carro antigo era mais pesado, o que em tese seria uma vantagem, mas isso se mostrou irrelevante.

O Bel Air tirou nota “ruim” em todas as categorias, com 62 centímetros de intrusão na região dos pés do boneco. O Malibu terminou com a cabine praticamente intacta.

Frota envelhecida

A média da idade da frota nacional de automóveis chegou a 11 anos e 5 meses em 2025, segundo o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), ante 8 anos e 10 meses uma década antes.

No mesmo período, a fatia de veículos com até cinco anos caiu de 38,5% para 22,3%, e a de carros de 11 a 15 anos mais que dobrou.

Proporcionalmente, o país compra menos carros 0-km exatamente quando os carros novos ficam mais seguros, o que transforma o choque entre gerações distintas em rotina nas rodovias.

E, quando dois veículos de arquiteturas muito diferentes colidem, explicam especialistas, as zonas de deformação não conversam adequadamente devido a diferenças na geometria, rigidez e massa.

O desencontro começa pela geometria, já que existem normas sobre a altura e o posicionamento das longarinas nos carros modernos que não valiam para os antigos.

Se essas vigas não se chocam diretamente, um veículo sobe na frente do outro ou desliza por baixo, e a zona de absorção nem chega a entrar em operação.

Piorando as coisas, é comum que os veículos mais velhos ainda não tragam os airbags e itens de segurança passiva atuais.

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