Carro antigo oferece risco quase 4 vezes maior de morte em acidentes, mostra levantamento
Taxa de mortalidade em carros antigos é quase quatro vezes maior que em modelos recentes
Carros|Do Estadão Conteúdo
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Crash tests viraram uma das maneiras mais eficientes de entender o comportamento dos carros em acidentes, mas nenhum laboratório conseguiria montar o experimento insólito que as rodovias brasileiras fazem todos os dias.
Um levantamento do Jornal do Carro, com dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal), realizado entre janeiro e julho, com sinistros em que dois automóveis separados por dez anos ou mais bateram, mostrou que ocupantes dos modelos mais velhos sofreram as piores consequências.
Foram 1.582 acidentes, com 2.491 ocupantes nos carros mais velhos e 2.467 nos mais novos.
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A taxa de mortalidade nos veículos mais antigos foi quase quatro vezes maior: 2,85% (71 óbitos), ante 0,73% (18 óbitos) nos mais novos.
No cálculo que soma mortos e feridos graves, os números foram de 11,6% e 6,2%, respectivamente.
Um estudo publicado na revista JAMA Network Open, que analisou acidentes fatais nos Estados Unidos entre 2016 e 2021, mostra que o padrão não é exclusivamente brasileiro: o risco de morte nos EUA foi 19% maior em carros com 6 a 15 anos; e 31% maior em veículos com mais de 15 anos, na comparação com carros de até 5 anos, independentemente da idade do motorista.
‘Lata grossa’
Durante meio século, a indústria acreditou que carro seguro era carro “duro”, que não amassava em colisões.
O engenheiro austro-húngaro Béla Barényi inverteu a lógica em 1952, quando trabalhava na Mercedes-Benz.
Barényi patenteou uma ideia ousada, que envolvia dividir a carroceria em três partes — uma frente e uma traseira que amassassem, e uma cabine rígida.
A energia da batida deveria ser absorvida destruindo lata em vez de pessoas. O avanço foi notável.
A eletrônica embarcada também mudou o jogo, e o airbag é o melhor exemplo. Mas a virada decisiva veio dos testes independentes, os atuais NCAPs.
Em 2009, para marcar seus 50 anos, o IIHS (Instituto das Seguradoras para Segurança Viária) dos EUA fez um teste que virou um clássico do YouTube: jogou um Chevrolet Bel Air 1959 contra um Chevrolet Malibu 2009 a 64 km/h.
O carro antigo era mais pesado, o que em tese seria uma vantagem, mas isso se mostrou irrelevante.
O Bel Air tirou nota “ruim” em todas as categorias, com 62 centímetros de intrusão na região dos pés do boneco. O Malibu terminou com a cabine praticamente intacta.
Frota envelhecida
A média da idade da frota nacional de automóveis chegou a 11 anos e 5 meses em 2025, segundo o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), ante 8 anos e 10 meses uma década antes.
No mesmo período, a fatia de veículos com até cinco anos caiu de 38,5% para 22,3%, e a de carros de 11 a 15 anos mais que dobrou.
Proporcionalmente, o país compra menos carros 0-km exatamente quando os carros novos ficam mais seguros, o que transforma o choque entre gerações distintas em rotina nas rodovias.
E, quando dois veículos de arquiteturas muito diferentes colidem, explicam especialistas, as zonas de deformação não conversam adequadamente devido a diferenças na geometria, rigidez e massa.
O desencontro começa pela geometria, já que existem normas sobre a altura e o posicionamento das longarinas nos carros modernos que não valiam para os antigos.
Se essas vigas não se chocam diretamente, um veículo sobe na frente do outro ou desliza por baixo, e a zona de absorção nem chega a entrar em operação.
Piorando as coisas, é comum que os veículos mais velhos ainda não tragam os airbags e itens de segurança passiva atuais.
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