Renault reforça linha de SUVs e anuncia fabricação de Captur e Kwid no Brasil
Montadora francesa, que vai ampliar fábrica do Paraná, também confirma importação do Koleos
Carros|Raphael Hakime, do R7, em São José dos Pinhais (PR)*


A Renault anunciou nesta terça-feira (2) que vai vitaminar sua linha de SUVs no Brasil, hoje representada apenas pela Duster, com dois novos modelos — o Captur, que será fabricado no País, e o Koleos, importado e fabricado em Busan, na Coreia do Sul. O anúncio foi feito pelo presidente mundial da Renault, Carlos Ghosn.
Os franceses também confirmaram a chegada do Kwid, o novo carro de entrada da montadora no País — trata-se de um modelo mundial. O popular será fabricado em São José dos Pinhais (PR), o que torna o Brasil o segundo país do mundo a ter a plataforma do Kwid. Os três modelos anunciados chegarão ao mercado em 2017.
O Renault Clio, que pertence à mesma categoria do Renault Kwid,continuará a ser fabricado na Argentina e trazido ao Brasil -- a tendência, porém, é perder espaço aos poucos no mercado nacional. Já o Renault Sandero, fabricado no Brasil, permanecerá como o segundo na escala de modelos da Renault por aqui.
Não existem ainda estimativas de preços para os três modelos da Renault, mas vale lembrar que o Koleos estará sujeito à variação cambial — se o dólar se valorizar em relação ao real, o modelo ficará mais caro. Mais robusto, o Koleos fará frente ao Honda CR-V, Toyota RAV4, Hyundai Santa Fé,Hyundai Ix35 e KIA Sorento.
Quanto ao Kwid, candidato a ser o carro mais barato produzido no Brasil, Ghosn despistou.
— O Kwid vai ficar completo não só pelas suas funcionalidades, design, consumo, mas também pelo preço. Mas o objetivo não é colocar [o Kwid] como o mais barato do Brasil. Será um carro com preço razoável.
Para fabricar o Captur e o Kwid, a fábrica de São José dos Pinhais (PR) será ampliada, informou o executivo. O objetivo, disse o CEO mundial da marca, é abocanhar 10% de participação do mercado nacional.

— A durabilidade da participação é mais importante do que atingir um pico apenas. [...] não estou dando uma data-limite para atingir os 10%, mas atingir 8% por exemplo não é satisfatório.
Renault confirma seu novo popular nacional, o Kwid
O foco da Renault nos SUVs no Brasil se dá porque o segmento dobrou de tamanho em dois anos, mas só responde por 15% do mercado brasileiro, explicou Ghosn. Na Europa, de acordo com o CEO, os SUVs representam 25% do mercado.
Com o anúncio, a Renault tenta galgar posições no ranking de emplacamentos de automóveis, uma vez que ocupa atualmente a oitava colocação, com 70.573 veículos vendidos entre janeiro e julho, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). A participação de mercado está em 7,37%.

Duelo de SUVs
O presidente mundial da Renault reconheceu que o Captur e a Duster, que já está nas ruas brasileiras, podem concorrer entre si. Mas aposta que o comportamento do mercado brasileiro deve se assemelhar ao europeu.
— Duster e Captur convivem bem na Europa, mas precisamos observar o comportamento do consumidor. Em todos os mercados em que temos os dois, não existe canibalização. Esperamos que seja assim no Brasil.
Empregos
O investimento da Renault significa um compromisso com o mercado brasileiro, mas a ampliação da fábrica de São José dos Pinhais não representa criação de empregos diretamente, segundo o presidente mundial da Renault.
— Quanto aos empregos, vai depender muito do mercado brasileiro. Estamos [o mercado nacional] nos 2 milhões de carros vendidos por ano, mas aos poucos voltaremos aos 3,6 milhões que atingimos alguns anos atrás. Assim, os empregos voltarão. Estamos investindo, apostando que esse mercado vai parar de cair e se reestabelecer.
Ghosn usou um dado para justificar a aposta da montadora francesa no País. O mercado brasileiro tem uma média de 200 veículos para cada mil habitantes. Isso representa a metade do que existe em Portugal, finalizou.
*O jornalista viajou a convite a convite da Renault














