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Análise: muitas situações de assédio não são reconhecidas pela vítima devido à cultura de desrespeito

Quase 50% das mulheres maiores de 16 anos sofreram assédio em 2025, mas esse número pode ser ainda maior

Cidades|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Quase 50% das mulheres maiores de 16 anos sofreram assédio em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
  • Muitas vítimas não reconhecem situações de assédio devido à cultura de desrespeito presente em diversos ambientes.
  • A palavra da vítima é considerada prova no Judiciário, mas evidências adicionais, como testemunhas e gravações, são recomendadas.
  • O estado de São Paulo utiliza menos de 40% dos recursos destinados ao combate à violência contra a mulher, prejudicando a eficácia dos atendimentos e programas preventivos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quase 50% das mulheres maiores de 16 anos sofreram assédio em 2025. Mais de 37% das mulheres sofreram algum tipo de violência, 31% sofreram ofensas verbais e 49% foram vítimas de assédio. Esta é a maior taxa, se comparada aos anos anteriores da pesquisa.

Em entrevista ao Conexão Record News desta terça-feira (5), Thais Cremasco, coordenadora do Núcleo de Violência Contra a Mulher da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo), ressalta que “mesmo sendo um índice muito alto, ainda não demonstra a realidade vivenciada pelas mulheres. Porque muitas situações de assédio não são reconhecidas pela vítima”.

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Thais alerta que muitas mulheres não sabem reconhecer esse tipo de situação, porque ainda existe uma cultura que permite violações e desrespeito às mulheres, não só na rua, mas também em situações de trabalho, na própria família, em qualquer ambiente.

A coordenadora esclarece que a palavra da vítima é vista pelo Poder Judiciário como elemento comprobatório, ainda que seja importante que a vítima tenha uma testemunha, gravações ou qualquer outra prova da situação que ela vivenciou. “Ela também não pode esquecer que a palavra dela já tem um peso de prova nos processos que versam sobre as questões de assédio ou qualquer tipo de violência contra as mulheres”, reforça Thais.

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Provas virtuais, como mensagens de texto, também ajudam no processo, e a veracidade dos elementos pode ser comprovada em cartório ou por meio de ferramentas que checam dados virtuais.

“O estado de São Paulo não usa nem 40% dos valores destinados ao combate da violência contra a mulher. Essas estruturas poderiam ser melhores se os orçamentos destinados para isso fossem de fato utilizados, mas não são. Então, não é que falta orçamento, mas falta a destinação correta para essas questões que melhorariam muito os atendimentos das mulheres. Não só quando a mulher já sofreu uma violência e precisa de ajuda, mas também programas que incentivem as mulheres antes mesmo de a violência escalar para algo pior”, diz.

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