Comissão ouve duas funcionárias da prefeitura sobre fiscalização da boate Kiss
Incêndio no estabelecimento aconteceu em janeiro deste ano e deixou 242 mortos
Cidades|Do R7

Duas fiscais de secretarias municipais de Santa Maria, no Rio Grande, prestaram depoimento na manhã desta quarta-feira (22), na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instalada pela Câmara de Vereadores da cidade para investigar o incêndio da boate Kiss, que aconteceu em janeiro deste ano e deixou 242 mortos. Outro fiscal e a arquiteta responsável pela reforma da casa noturno, convocados para depôr nesta quarta, não compareceram à CPI.
Isabel Cristina Medina, da Secretaria de Finanças, foi a primeira fiscal a ser ouvida pelos vereadores. Ela explicou que a pasta é responsável pela verificação da metragem do imóvel e também pela comprovação da atividade exercida pelos estabelecimentos em relação à solicitada no processo de alvará. Cristina disse que foi uma das responsáveis pela vistoria da boate em 2010 (ano de concessão da licença para o funcionamento da Kiss). Já a fiscal da Secretaria de Mobilidade Urbana, Silvia Jussara Dias, informou que nunca esteve na boate.
Um ofício será encaminho ao Poder Judiciário para a intimação da arquiteta Liesse Basso, que justificou compromisso profissional para não prestar depoimento nesta quarta-feira. Durante a sessão, o vereador Werner Rempel (PPL) solicitou à CPI que também peça que o ex-secretário de Mobilidade Urbana da cidade, Sérgio Medeiros, seja intimado judicialmente a prestar depoimento na Comissão.
Vítimas
A Secretaria de Saúde de Porto Alegre confirmou a morte de Mariane Wallau Vielmo, de 24 anos, às 5h15 deste domingo (19), no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, capital gaúcha. Natural de Santiago, Mariane estudava Sistemas de Informação e trabalhava com informática em uma escola. Ela foi a 242ª vítima do incêndio e estava internada desde a tragédia.
De acordo com a assessoria de comunicação, quatro vítimas do incêndio continuam internadas no Hospital das Clínicas. Não há mais pacientes internados em outras unidades de saúde de Porto Alegre. Um paciente que havia recebido alta retornou para uma avaliação e a equipe médica achou melhor interná-lo de novo.
Incêndio
O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro.
O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu um artefato pirotécnico — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que ao ser lançado atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.
A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.
Ao entrar na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para socorrer as vítimas do incêndio, na madrugada de domingo (27), os bombeiros se depararam com uma barreira de corpos.
A Polícia Civil de Santa Maria indiciou 16 pessoas pelo incêndio. O MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) denunciou oito indiciados. A Justiça gaúcha aceitou a denúncia contra os oito acusados.















