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Como celular ligou veleiro com cocaína apreendido pelos EUA à indústria do funk em SP

Operação Narco Fluxo é a fase mais abrangente de uma investigação que a PF construiu desde 2023

Cidades|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A operação Narco Fluxo, iniciada pela Polícia Federal, foi desencadeada a partir da apreensão de um veleiro com cocaína e um celular de Rodrigo Morgado.
  • Morgado é acusado de atuar como intermediador financeiro para MC Ryan SP e outros envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico e ao mercado de apostas online.
  • MC Ryan e Poze do Rodo, influenciadores do funk, foram presos como parte da investigação que revelou a conexão entre o crime organizado e a indústria do entretenimento.
  • A investigação ainda inclui outros presos, como o empresário Chrys Dias e o fundador da produtora GR6, Rodrigo Inácio Lima de Oliveira, suspeitos de participação no esquema criminoso.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Funkeiros dentro de carro popular fazem caretas para a câmera
MC Ryan é identificado como líder e principal beneficiário econômico, segundo as investigações Reprodução/Redes sociais

A Operação Narco Fluxo, a maior e mais abrangente fase de uma investigação que a PF (Polícia Federal) construiu ao longo de três anos, nasceu no Atlântico e teve como ponto de partida um celular apreendido em 2023, antes de chegar ao mundo do funk e às prisões dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo na quarta-feira (15).

Tudo começou quando, em 2023, a Marinha dos Estados Unidos apreendeu o veleiro Lobo IV entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias com mais de três toneladas de cocaína a bordo.


Ao apurar a embarcação, a investigação descobriu que a compra do veleiro foi feita por meio de duas empresas — Saito Construtora Imobiliária e Caetano da Silva Construções — cujos registros e movimentações financeiras tinham um nome em comum: o contador Rodrigo de Paula Morgado.

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Segundo as investigações, Morgado não era apenas contador das empresas: ele teria providenciado a abertura da Saito Construtora.


Operação Narco Vela

Após a apreensão do veleiro, a PF deflagrou, ainda em 2023, uma operação chamada Narco Vela, na qual, durante ações de buscas e apreensões, apreendeu o celular de Morgado — um iPhone 15 Pro Max com mais de 300 GB de arquivos.

Ao analisar o conteúdo do iCloud de Morgado com autorização da Justiça, a investigação descobriu uma organização criminosa separada da investigação original do veleiro, que era dedicada à lavagem de dinheiro por meio do mercado de apostas online.


Operação Narco Bet

Com isso, em 2024, um novo inquérito foi instaurado e deu origem a uma nova operação, a Narco Bet, na qual Morgado e o influenciador Buzeira, suspeito de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) foram presos em 2025.

Elo central

Já em 2026, ao cruzar informações do celular de Morgado com relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a PF identificou uma organização criminosa ainda maior, com MC Ryan SP no centro da estrutura, o que gerou o inquérito que embasou a operação Narco Fluxo, deflagrada nesta quarta-feira (15).


Preso na Operação Narco Bet e investigado por suspeita de ligação com o PCC, Morgado é apontado como operador-chave do grupo.

Segundo a Polícia Federal, ele atuava na articulação de transferências bancárias e prestava auxílio direto aos investigados em estratégias de “proteção patrimonial” envolvendo Ryan.

As mensagens interceptadas indicam que Morgado viabilizava repasses em nome de terceiros e prestava serviços de gestão financeira para atender a diferentes demandas do grupo, desde ocultação de patrimônio até evasão fiscal.

“Investigações conexas também o vincularam a atividades de suporte financeiro a outras organizações criminosas investigadas no bojo da Operação Narco Bet, o que reforça sua posição de intermediador de Ryan”, afirma a PF.

No centro da estrutura, segundo as investigações, está MC Ryan, identificado como líder e principal beneficiário econômico.

Segundo as investigações, ele usava empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para mesclar receitas lícitas com recursos de origem criminosa, adotando mecanismos de blindagem patrimonial, como o uso de “laranjas”, transferência de bens a terceiros e aquisição de ativos de alto valor.

Um dos pontos da investigação é o Bololo Restaurant & Bar, restaurante do funkeiro que a PF aponta como instrumento de mistura de capitais legítimos com valores ilícitos.

A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro “possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.

Outros investigados e seus elos com o PCC

Raphael Sousa Oliveira, dono do ‘Choquei’

Segundo a PF, Raphael Sousa Oliveira é suspeito de usar o perfil em rede social para “gestão de imagem e promoção digital” do grupo investigado. Ele foi detido em Goiânia e é apontado como “operador de mídia da organização”.

Sua função era divulgar conteúdos favoráveis a MC Ryan, promover plataformas de apostas e rifas e atuar na contenção de crises de imagem relacionadas às apurações da Polícia Federal. O perfil no Instagram da “Choquei” tem 27 milhões de seguidores.

O dono da “Choquei” também recebeu, segundo a PF, valores milionários de três outros envolvidos e também presos na operação.

Poze do Rodo

Nascido e criado na comunidade do Rodo, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o Poze do Rodo, de 27 anos, construiu sua carreira a partir de músicas que retratam a realidade em que viveu.

Poze do Rodo foi detido no Recreio dos Bandeirantes. Segundo a PF, ele fazia parte do esquema, mas não está claro qual exatamente era a função. A defesa disse desconhecer o teor do mandado de prisão.

A defesa de Poze disse desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão. Em nota, os advogados informaram que, “com acesso aos mesmos, se manifestarão na Justiça para restabelecer a liberdade dele e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”.

Chrys Dias

O influenciador Chrys Dias, que soma 15 milhões de seguidores no Instagram, também foi preso apontado de fazer parte do esquema. Nas redes sociais, ele se apresenta como empresário do MC Ryan.

Rodrigo Inácio, fundador de produtora de funk

O dono da produtora GR6, Rodrigo Inácio Lima de Oliveira, fundador da maior produtora de funk do País, também foi alvo de prisão por envolvimento no grupo.

O R7 e a RECORD não conseguiram contato com as defesas de Rodrigo de Paula Morgado, Raphael Sousa Oliveira, Chrys Dias e Rodrigo Inácio. O espaço segue aberto, e a reportagem será atualizada assim que houver a manifestação.

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