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MC Ryan lidera organização criminosa que movimentou R$ 260 bilhões, afirma PF

Investigações descrevem a existência de uma organização criminosa altamente estruturada, voltada à lavagem de dinheiro em larga escala

Cidades|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • MC Ryan SP foi preso em operação da Polícia Federal por liderar uma organização criminosa de lavagem de dinheiro.
  • A estrutura movimentou mais de R$ 260 bilhões, utilizando apostas ilegais e rifas digitais.
  • O grupo contava com operadores-chave que ocultavam valores e realizavam transferências financeiras suspeitas.
  • As investigações indicam conexões internacionais com envio de recursos ao exterior e envolvimento de empresas estrangeiras.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mc Ryan deixa IML Central
Mc Ryan foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro para o tráfico internacional Eduardo Martins / Brazil News

Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, um dos funkeiros mais famosos do Brasil, foi preso temporariamente nesta quarta-feira (15), na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, suspeito de liderar uma engrenagem criminosa voltada à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, com uso de bets, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento.

A ofensiva da Narco Fluxo, que prendeu 31 suspeitos — entre eles o também MC Poze do Rodo — nesta quarta, mira um grupo especializado em blindagem patrimonial e ocultação de valores.


A ação é um desdobramento de apurações anteriores que identificaram a atuação do grupo em esquemas de lavagem de dinheiro.

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As investigações descrevem a existência de uma organização criminosa altamente estruturada, voltada à lavagem de dinheiro em larga escala, com base principalmente na exploração de apostas ilegais e rifas digitais, além de possíveis conexões com o tráfico internacional de cocaína.


As apurações, derivadas das operações Narco Vela e Narco Bet — na qual o influenciador Buzeira foi preso —, apontam que o grupo movimentou valores bilionários — com estimativas superiores a R$ 260 bilhões — por meio de um sistema paralelo que envolvia dinheiro em espécie, transferências bancárias e criptoativos, especialmente uma criptomoeda conhecida como Tether.

Ryan no centro da organização

No centro da estrutura, segundo as investigações, está Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan, identificado como líder e principal beneficiário econômico.


Segundo as investigações, ele usava empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para mesclar receitas lícitas com recursos de origem criminosa, adotando mecanismos de blindagem patrimonial, como o uso de “laranjas”, transferência de bens a terceiros e aquisição de ativos de alto valor.

Ao seu lado, atuavam operadores-chave como Tiago de Oliveira, responsável pela gestão financeira e redistribuição de recursos, e Rodrigo de Paula Morgado, apontado como contador e articulador das movimentações financeiras e estratégias de ocultação patrimonial.


“As mensagens acessadas pela Polícia Federal revelaram que Tiago teria atuado em diversas tratativas financeiras e imobiliárias em favor de Ryan, dentre elas a negociação de um imóvel de alto padrão, demonstrando ciência das irregularidades da cadeia de propriedade, assumindo papel de pessoa interposta e facilitadora para viabilizar o controle do bem antes da posse formal, contribuindo para a aparência de regularidade da operação”, diz a investigação.

Preso na Operação Narco Bet e investigado por suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), o contador Rodrigo de Paula Morgado é apontado como operador-chave do grupo.

Segundo a Polícia Federal, ele atuava na articulação de transferências bancárias e prestava auxílio direto aos investigados em estratégias de “proteção patrimonial” envolvendo Ryan.

As mensagens interceptadas indicam que Morgado viabilizava repasses em nome de terceiros e prestava serviços de gestão financeira para atender a diferentes demandas do grupo, desde ocultação de patrimônio até evasão fiscal.

“Investigações conexas também o vincularam a atividades de suporte financeiro a outras organizações criminosas investigadas no bojo da Operação Narco Bet, o que reforça sua posição de intermediador de Ryan”, afirma a PF.

‘Belga’ e ‘braço direito’

Intermediar os contratos e pagamentos entre as plataformas ilegais de apostas e a estrutura criminosa liderada por Ryan ficava a cargo de Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga.

Alvo de prisão temporária e busca e apreensão nesta quarta, Belga recebia, segundo a PF, valores de processadoras de pagamentos, os quais repassava a empresas do artista e outros operadores financeiros.

“Ao que consta, Alexandre teria mantido intensa movimentação em sua conta bancária, realizando repasses de valores para sociedades vinculadas a Ryan e outros colaboradores.

Os extratos obtidos evidenciaram, ainda, centenas de transferências fracionadas em pequenas quantias, padrão compatível com técnicas de estruturação (smurfing)”, diz a investigação.

A engrenagem incluía ainda intermediários financeiros, operadores de pagamento, gestores de empresas de fachada e pessoas responsáveis pela pulverização de valores em contas diversas, prática típica de lavagem conhecida como “smurfing”.

Parte relevante da estrutura também envolvia agentes ligados à comunicação e marketing digital, responsáveis por promover plataformas ilegais e proteger a imagem dos envolvidos.

Há, ainda, indícios de conexões internacionais, com envio de recursos ao exterior e participação de empresas estrangeiras no processamento de pagamentos.

Segundo a Justiça, o esquema de Ryan mantém “estrutura empresarial e rede de operadores que viabilizam a circulação e ocultação de valores provenientes da exploração sistemática de apostas ilegais e rifas digitais em escala nacional e internacional”.

A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro “possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.

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